Nascido para as pistas. Sucesso nas ruas. Parte 2

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Se na década de 70 o “Puminha” era um sucesso tanto de vendas quanto de crítica, antes dos anos 80 uma mudança extrema foi adotada e chocou os amantes da marca.

Nascido com um coração, digo, motor 1.0 de 2 tempos e 3 cilindros (DKW), o Puma logo teve que adaptar-se quando seu propulsor foi descontinuado, passando a ser montado com os motores VW refrigerados a ar. Primeiro era o 1500cc do Karmann Ghia e depois o 1600cc do Brasília.

E então foi lançado o Puma GTB. Maior e mais luxuoso, o novo Puma seguia o estilo dos muscle cars americanos. Bancos em couro, direção hidráulica, vidros elétricos, ar condicionado e o principal: motor 6 cilindros refrigerado a água e caixa de câmbio GM, os mesmos que equipavam os Opalas. Até por isso era chamado por muitos de “Puma GM”.

O acerto entre o chassi tubular e o trem de força GM dava ao carro o toque de esportividade que as linhas da carroceria denunciavam e o carro era ótimo. Agressivo e muito rápido, foi febre entre os entusiastas da velocidade.

Contudo, o preço exorbitante do GTB o tornava um brinquedo para poucos. Um comparativo feito por uma revista especializada na época mostrava que com o valor de um GTB era possível comprar 1 Ford Maverick GT + 1 VW Passat TS + 1 VW Fusca 1300 e ainda sobrava dinheiro. Em 1979 foi lançado o Puma GTB/2, evolução do antecessor, com carroceria mais reta e moderna mas com o mesmo conjunto GM 250S. Caros demais, pouquíssimas unidades foram produzidas.

Ainda no final dos anos 70 a empresa começou a passar por sérios problemas financeiros. Mesmo assim lançou um novo modelo em 1980. O “P-018” era um GTE com a suspensão da Variant II. Somente 28 modelos foram vendidos entre 81 e 84. Em 81 a mudança de vários pequenos detalhes transformaram o GTE em GTI e o GTS em GTC. Porém a crise financeira só aumentava e em 1984, quando a produção foi de 100 unidades (56 GTB, 32 GTC, 4 GTI, 6 P-018 e 2 Modelos desmontados para exportação) a Puma pediu concordata.

Entra em cena então a Araucária Veículos, que continuou produzindo os Pumas, mas não foi muito longe, sendo substituída por outra empresa, a Alfa Metais, também disposta a levar adiante o produto. Os carros foram relançados com outros nomes: o AMV(GTB), AM3(GTI) e AM4(GTC) com pequenas alterações de estilo. Nessa fase, até 89, apenas 36 carros foram montados e a produção parou novamente.

A AMV (Alfa Metais Veículos) começou então a produzir pequenos caminhões com a marca Puma, igualmente tendo uma venda raquítica.

Em 1998 a Ford comprou os direitos sobre o nome Puma e então os caminhões passaram a trazer a marca AMV, embora mantivessem o emblema característico. Logo em seguida também a produção dos caminhões foi encerrada.

Recentemente, em 2014, quando a marca Puma completou 50 anos, uma empresa chamada “Puma Automóveis” anunciou que criaria um novo carro da marca para corridas, inspirado no antigo GT e no Lotus Elise. Cercado de muita polêmica, em 2016 o primeiro protótipo foi apresentado durante a última etapa do Campeonato Paulista de Automobilismo, em Interlagos, mas não se teve mais notícias sobre esse novo capítulo da saga da Puma.

Aqui ficamos na torcida para que ainda nesta vida possamos ver novos Pumas pelas ruas.

Grande abraço!

  

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