Vivemos em uma sociedade de cultura transgressora?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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 Um dos assuntos inevitáveis nas rodas de bate papo nos dias de hoje, sem dúvida nenhuma, é a corrupção endêmica instaurada no sistema político brasileiro. Uma das justificativas que geralmente vem à baila, é a de que os brasileiros de um modo geral são pessoas que “toleram” ações ilícitas, imorais e antiéticas, pois em nosso cotidiano, tornou-se comum a prática de pequenos delitos e/ou contravenções, que de tão rotineiras e “comuns”, acabam por passar desapercebidas, muito embora, a intolerância da população com a corrupção no sistema público, chegou ao seu limite.   

Você se considera uma pessoa que não comete nenhuma ação ilícita, imoral ou antiética no seu dia a dia? Se você respondeu que sim, parabéns, pois você deve fazer parte de um seleto grupo minoritário da população brasileira, passível até de ser santificado pelo Papa. Em nosso dia a dia cotidiano, quem nunca comprou alguma coisa e não pediu a nota, ou o vendedor não possuía nota ou recibo? Quem nunca transitou acima do limite de velocidade de uma via, ou não tomou um aperitivo e depois dirigiu? Quem nunca cruzou o sinal vermelho, transitou sem o sinto de segurança, falou ao celular, parou em fila dupla para deixar o filho na escola, ou estacionou em local proibido? Quem nunca deu aquela “vacilada” na declaração do imposto de renda? Quem nunca pegou a carteirinha de sócio do amigo para comprar um ingresso para ver o jogo de seu time do coração, ou foi naquele PL (pão com lingüiça) de um candidato qualquer? Quem nunca presenciou um assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho, nos ambientes familiares... (situações estas,  muito comuns nos dias de hoje, embora que, sejam repudiadas e recriminadas pela sociedade). Quem nunca tirou um Xerox de um livro, ou comprou um CD que não era original, baixou programas em seus computadores que não eram os originais, com as respectivas licenças?

Como podemos observar, na maioria dos exemplos acima citados, nos enquadramos como atores, ou seja, em algum momento de nossas vidas, cometemos atos ilícitos, imorais ou no mínimo antiéticos. Durante a faculdade de direito, lembro-me de um professor, que também era juiz, que nos chamava a atenção para o comportamento do “homem normal”, ou seja, o comportamento de uma pessoa que embora esteja previsto como ilegal nos códigos, ao ser comprovado como uma prática normal e cotidiana da sociedade passa a ser considerado como normal aos julgadores também. Exemplo: o pequeno excesso de velocidade acima do limite de uma via, praticado pela maioria dos condutores. O fato de que culturalmente o brasileiro seja um rotineiro transgressor, não lhe implica necessariamente, a conivência com os atos criminosos de corrupção, revelados pela Operação Lava a Jato. Basta verificar o nível de indignação da população brasileira, com a roubalheira e descaso com o dinheiro público, que vieram à tona nos últimos dias, com o advento das delações premiadas. A maioria da população brasileira repudia este tipo de comportamento, dado o seu nível de voracidade, ganância, futilidade, luxúria e soberba das partes envolvidas. Trata-se do maior roubo da história da humanidade, um esquema criminoso que extrapolou os limites territoriais do Brasil. Um esquema que comprometeu dinheiro brasileiro, para a realização de obras em países, que dificilmente poderão honrar com os pagamentos destes “empréstimos”, se é que podemos chamar assim.

Daí a grande indignação de nosso povo, que vêem brasileiros morrendo: nas filas de hospitais pela falta de atendimento, pelo aumento da criminalidade; amontoando-se em filas de emprego e aumentando os bolsões de miséria, para sustentar um sistema pernicioso, perverso e imoral, de nossa política nacional. Os brasileiros não podem cair na “armadilha” conformista que diz: “Sempre foi assim...”. Vamos mudar esta realidade! Se for preciso mudar a cultura do brasileiro, pois bem, vamos mudar, mesmo que seja lentamente, porém, a intolerância aos grandes corruptos e corruptores do Brasil precisa ser imediata.

“Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha.” MAHATMA GANDHI


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