Uma nação em dívida!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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No dia treze de maio passado assinalou-se os 129 anos da abolição da escravatura no Brasil. O trabalhado escravo foi tão importante para a economia brasileira que durou quase que três séculos. Foi abolido devido às pressões internacionais, do movimento abolicionista brasileiro e da resistência cada vez mais articulada da população afrodescendente.

Ao mesmo tempo os imigrantes europeus eram recebidos no Brasil com algum incentivo para recomeçarem suas vidas, seja através da reserva de vagas na indústria nascente ou incentivo para o trabalho na agricultura.    Aos saídos da escravidão e seus descendentes restou a luta pela sobrevivência em ocupações informais e de menor arrecadação salarial.

Vê-se um paradoxo interessante. Aqueles que por quase três séculos construíram a riqueza do Brasil, no período colonial e império, saíram da escravidão sem forma alguma de reparação e seus descendentes vivem até hoje em situação de pobreza e miséria, ocupando os últimos lugares nos indicadores sociais.

Algumas pesquisas publicadas na semana passada retratam as consequências da escravidão, finalizada oficialmente a mais de cem anos. O que as pesquisas relatam não é fruto do acaso ou da incompetência dos negros para melhorarem suas condições de vida. A nação que, no passado, fez seus ancestrais escravos, hoje resiste a qualquer política afirmativa em benefício dos negros, taxando-a de inconstitucional ou que fere os princípios da democracia. Defendem a meritocracia como caminho para a superação da desigualdade.

Uma leitura mais atenta da história do Brasil revelará a verdade sobre a dívida da nação brasileira para com o povo negro. É uma dívida que não foi paga. É uma das razões da grande desigualdade em relação à população branca, quanto à renda, educação e expectativa de vida.  O mínimo de políticas afirmativas contribuirá para que se supere esta desigualdade. É uma forma de se pagar a dívida histórica. Isto vai além do discurso falacioso da meritocracia porque é o reconhecimento de uma verdade histórica que não poderá ser escondida, apesar da incineração dos documentos referentes ao tempo da escravidão operada por Rui Barbosa.

 


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