Fica Temer

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A última semana foi uma das mais turbulentas do Brasil, jamais imaginada pelas mentes brilhantes e esclarecidas ou pelas mais ingênuas ou longínquas. Um conhecido disse-me: “quando chegamos ao fundo do poço, nos damos conta que o poço havia sido vendido”. Essa é uma metáfora que demonstra o grau de desespero e de desesperança que tomou conta dos brasileiros, seus líderes e suas instituições.

Já não há fala que convença a autoridade com responsabilidade e missão de tomar as iniciativas mais importantes do ponto de vista administrativo e as atitudes políticas mais ousadas, que já vinha com popularidade inexistente de tão baixa. Amarga agora o fundo do descrédito e da ausência de referência em todos os campos.

Não basta anunciar que vai ficar, se não tem como ficar, para onde ir, com quem falar, negociar e propor, mesmo que sejam soluções ou inciativas contraditórias. Há determinadas circunstâncias em que necessário é propor e permitir o debate aberto e contribuir para a construção de soluções pelo menos equilibradas. Para isso precisa ter crédito.

Deste lado, daqueles que estão mais longe e com menos recursos para atuar, organizar e gritar, não basta dizer fora um, porque a vontade (ou o dever) é dizer fora todos. Entretanto, o certo é que não há lugar para todos estes ficarem dentro. De outra parte, nem todos os que estão dentro precisam, devem ou merecem estar fora, porque ainda são dignos e esforçados, apesar dos percalços.

Mais profundo é dizer, desde o começo, que a política no seu ideal foi a arte ou missão de fazer ou construir o bem de todos, mas na vida real dos parlamentos e das execuções da política é a arte dos interesses melhor jogados ou articulados. Nos Brasil, no caso, melhor pagos.

O título de hoje nos provoca a dizer: Fora ou fica. Como mandar embora quem o Brasil elegeu? Como ficar com quem não se conhecia?

Lembremos, não são todos iguais, mas nenhum lá chegou sem o nosso consentimento. Votamos em quem pensamos que age como nós, ou melhor, do que nós. 

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