MP Lafer – um britânico brasileiro

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Na semana passada e na anterior tratamos da história do Puma no Brasil, que esteve intimamente ligada com o Fusca. Hoje vamos tratar de outro lindo carro brasileiro que foi construído sobre a mecânica VW a ar, o MP Lafer.

Já falamos aqui que as décadas de 60 e 70 do século passado foram palco de várias expressões criativas essencialmente brasileiras na área automotiva. Um típico exemplo disso é o MP Lafer.

A história conta que seu criador, Percival Lafer, era dono de uma fábrica de móveis. Um dia, um funcionário da sua fábrica foi trabalhar com o carro da esposa, um pequeno esportivo britânico um MG TD ano 1952. Percival achou tão interessante o carrinho inglês que decidiu produzí-lo no Brasil. Após descobrir que a distância entre-eixos do MG TD e do Fusca era idêntica e sabendo da confiabilidade, robustez e manuntenção barata da mecânica VW, decidiu por montar uma carroceria de fibra de vidro sobre o chassi e mecânica do Fusca. Apresentou seu protótipo no salão do Automóvel do Brasil em 1972 e começou a comercializá-lo em 1974.

Embora o motor do Fusca, de 4 cilindros arrefecido a ar e 52 cv não fosse exatamente esportivo, o baixíssimo peso da carroceria de fibra e suas linhas retrô, onde os cromados e os detalhes como painel em madeira, grandes faróis redondos destacados e o fino acabamento dos detalhes casava perfeitamente com a capota retrátil e o para-brisas basculante. O MP Lafer marcou sua época como sinônimo de requinte e esportividade.

Todo o projeto foi muito bem pensado e os carros eram montados de forma quase artesanal, mas com muito cuidado e qualidade. O motor VW a ar notadamente barulhento, foi isolado em seu compartimento por uma dupla parede de fibra. Assim, o MP Lafer era naturalmente muito mais silencioso que o Fusca. Ainda falando do motor, o seu alojamento foi desenhado para além de suprimir o som, impedir a entrada de água e poeira e garantir a máxima refrigeração, o que garantia longa vida ao propulsor.

O porta-malas, posicionado a frente, acomodava o estepe, tanque de combustível e bateria, além de comportar com facilidade a bagagem de duas pessoas.

Como todo bom esportivo dos anos 70, o MP Lafer contava com apenas 2 lugares. Os bancos eram muito confortáveis e anatômicos. No compartimento atrás dos bancos havia espaço ainda para mais alguma pequena bagagem.

O painel de muito bom gosto, montado em uma placa de madeira de lei, contava com vários mostradores, como marcador de nível de combustível, velocímetro, odômetro total, tacômetro (contagiros) e lâmpadas piloto do alternador, pressão de óleo, indicadoras de direção e farol alto. Eram opcionais manômetros de pressão de óleo, temperatura e bateria. O volante esportivo e a alavanca de marchas bem à mão aumentavam a sensação ímpar de dirigir o MP Lafer. Além disso tudo, o conjunto todo era muito bem acertado, destacando-se a facilidade de manobras e a ótima dirigibilidade.

Em 1978 algumas alterações estéticas foram introduzidas e o modelo passou a ser chamado de MP Ti. Os cromados foram substituídos por uma pintura preto-fosca. Os novos pára-choques, feitos de fibra de vidro, acabaram destoando do conjunto. Uma segunda alteração, algum tempo mais tarde, trouxe novos faróis retangulares e uma nova grade frontal. Essa aparência mais agressiva e moderna reascendeu o interesse pelo carro e desfez-se assim a ligação com o MG britânico. O MP Ti era um genuíno Lafer.

Entre 1974 e 1990 um total de 4300 automóveis MP Lafer foram produzidos. Dentre esses, 1000 foram especialmente montados para exportação.

 

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