Coerência aos formadores de opinião

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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A mega operação que está sendo realizada no Brasil, contra a corrupção e lavagem de dinheiro público, está sendo acompanhada por meios de comunicação de todo mundo. Uma das coisas que mais impressiona, é o grande número de empresários e políticos envolvidos nos esquemas criminosos. A cada dia mais uma revelação “bombástica”, mais uma delação premiada, que além de colocar o réu em uma condição de “Réu Confesso”, revela outros comparsas envolvidos, aumentando a lista de criminosos por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Os envolvidos são em sua ampla maioria, agentes políticos das mais diferentes matizes ideológicas e partidárias. Estes fatos tornam difícil a defesa dos mesmos por estes vieses. Aos que se arriscam a saírem em defesa dos denunciados, preparem-se para enfrentar uma opinião pública raivosa e intolerante, além do julgamento que só a história poderá contar.   

O ato de dar publicidade a todos os depoimentos da Operação Lava a Jato, fez com que cada brasileiro (a), se tornasse um exímio julgador. Todos acompanham atentamente as notícias, cada fato novo, cada detalhe revelado, torna ainda mais claro o funcionamento da prática de corrupção nos bastidores do legislativo e do executivo, principalmente. Não se falam mais em milhões, agora são bilhões de reais e de dólares. Cada parlamentar tinha seu preço (com raras exceções). Os projetos de lei enviados pelo governo ao Congresso, já tinham uma fatia garantida aos partidos ou aos “lobistas”, amigos do rei. Os empréstimos realizados aos países “amigos”, tinham a garantia de contratação de mão de obra “amiga”, da empresa Odebrecht, que posteriormente, direcionava quantias generosas aos agentes envolvidos. A delação premiada foi à grande propulsora de toda esta avalanche de denúncias. Hoje no meio político, a insegurança do sigilo entre as partes, é algo notório: gravações clandestinas, filmagens, provas produzidas, testemunhas e depoimentos pessoais, são algumas das provas utilizadas pelos delatores na tentativa desesperada de salvarem as suas peles. A política do “salve-se quem puder”, impera no cenário de delações da operação. Em muitos casos, as provas são tão inequívocas, que os acusados estão optando por confessar os crimes.

A população brasileira assiste a toda esta dilapidação dos quadros políticos de nossa Nação, estarrecida, boquiaberta com tanta roubalheira. A falta de compromisso moral e éticos dos agentes públicos envolvidos, está jogando na lama biografias de homens e mulheres com vida pública de décadas. Histórias e carreiras políticas, que irão se encerrar de maneira trágica e vergonhosa. Muitos formadores de opinião (dentre eles Juízes, parlamentares, professores, repórteres...), ainda tentam fazer uma defesa ideológica nos casos da Lava Jato, colocando-se em uma posição extremamente desconfortável, tendo em vista, o grau de indignação e intolerância da sociedade brasileira. Aos réus, vamos deixar a defesa a suas qualificadas bancas de advogados, onde a garantia constitucional dos princípios da ampla defesa e do contraditório, estão sendo observados e garantidos aos acusados. As informações midiáticas podem nos levar a erros e análises equivocadas, sendo necessária uma análise, muitas vezes técnica, para avaliar uma prova. O que mais nos intriga nos posicionamentos ideológicos, de defesa ou de acusação, é justamente a falta de embasamento técnico/jurídico, para sustentar as afirmações ou negativas dos fatos por eles sustentados. Estes formadores de opinião estão perdendo a credibilidade junto aos seus leitores, que não podem ser subestimados, pois possuem senso crítico próprio, com capacidade de avaliar e identificar um texto indutivo, tendencioso.

O momento político é melindroso, estamos atravessando uma das maiores crises políticas da história de nosso País. A história através dos livros e das postagens irá contar as futuras gerações, o que de fato ocorreu neste fatídico período. Aos brasileiros nos resta a esperança de que dias melhores virão; de que as instituições são maiores que as pessoas; de que as bandeiras de lutas são maiores e mais duradouras que as pessoas. Já a história, há esta precisa ser contada com detalhes verídicos, doa a quem doer, sob pena de também sermos julgados, como imorais e antiéticos na missão de formarmos opinião, e contarmos a história através das redes sociais.

Nos corrompemos com os sonhos dos bens materiais, jogamos a ética e a moral no lixo. Como cobrar excelência de comportamento da juventude?” De Cesaro.

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