O que fazer com a preguiça?

Postado por: Jéssica Limberger

Compartilhe

Dias atrás, tive a grata surpresa de encontrar com uma conhecida na rodoviária. Conversamos um pouco sobre as nossas vidas e ela perguntou se não me dava uma "preguicinha" de escrever um texto toda semana. Achei uma graça ela ter dito "preguicinha" em vez de preguiça, talvez por imaginar que eu sentisse um "pouquinho" de preguiça, e não uma "preguiçona". Mas afinal, o que é a preguiça? Ela nos ajuda ou nos atrapalha?

Todo o dia sentimos preguiça. Seja para levantar da cama, seja para ir trabalhar, fazer academia ou até mesmo para sair de casa. Assim, a preguiça surge antes de alguma tarefa ser realizada. O exemplo de levantar da cama é muito pertinente: é óbvio que seria mais prazeroso ficar a manhã toda dormindo ao invés de ir trabalhar. Ainda mais no inverno, que parece que a preguiça aumenta... A nossa vontade de ficar dormindo acontece, pois o nosso corpo quer continuar a não gastar muita energia. Além disso, ficar dormindo a manhã toda vai satisfazer a nossa necessidade daquele instante. Entretanto, também temos a consequência de não irmos trabalhar ou de deixar de fazer alguma atividade. Assim, ao levantarmos e cumprirmos com nossas atividades, estamos tendo um benefício a longo prazo, que só vamos descobrir depois que levantarmos. Ou seja, estamos nos aproximando de nossos objetivos de vida.

O que nos faz levantar da cama, seja nossa motivação, seja nosso senso de responsabilidade, também nos auxilia no cumprimento das atividades que executamos. Entretanto, se não estamos motivados no nosso trabalho, se não vemos sentido nas tarefas que estamos desempenhando, a preguiça se torna mais intensa, e junto dela vem o desinteresse. Assim, sempre é pertinente avaliarmos se as escolhas que estamos fazendo têm a ver com o que queremos alcançar e se estamos dispostos a realizar aquelas tarefas que exigem esforços em longo prazo.

Para aqueles que querem acabar com a preguiça nas suas vidas, um aviso: a preguiça sempre vai existir. Aliás, é ótimo que ela exista, pois é o nosso organismo buscando economizar a nossa energia. Isso não significa que devemos deixar que a preguiça tome conta da nossa vida, mas que ela pode nos auxiliar a lembrar quais tarefas queremos gastar a nossa energia.

Também é importante diferenciarmos a preguiça do cansaço. A preguiça tem a ver com uma indisposição diante de uma tarefa que ainda não executamos. Já o cansaço tem a ver com as tarefas que já realizamos e contribuíram para que nos sentíssemos "esgotados". Essa diferença nos ajuda a identificar a importância daqueles momentos em que, depois de deixarmos a preguiça de lado, sentimo-nos renovados, como realizar uma atividade física ou concluir uma tarefa, por exemplo.

Acredito ser relevante perceber que, assim como a preguiça, que sempre existirá na nossa vida, temos tantas outras situações, sentimentos e momentos, que por mais que sejam desagradáveis, sempre farão parte da nossa vida. Não precisamos lutar contra a preguiça, assim como não precisamos combater a tristeza, a ansiedade, o estresse. Precisamos compreender a função que eles desempenham nas nossas vidas e se caso estejamos preguiçosos, tristes, ansiosos ou estressados em excesso, será importante reequilibrar a intensidade dessas emoções, mas não criar a falsa ideia de que vamos nos “livrar” desses momentos e sentimentos desagradáveis.

Ao compreendermos os ciclos da nossa vida e a importância dos momentos agradáveis e desagradáveis, fazemos as pazes com nós mesmos. Percebemos que a alegria só é tão marcante visto que já sabemos a função da tristeza; compreendemos que existem momentos em que a calma nos auxilia, mas que também necessitamos de uma dose de ansiedade para fazer com que nossos sonhos aconteçam. Que a própria preguiça nos auxilie a perceber em quais atividades vale a pena utilizarmos a nossa energia e em qual rumo está seguindo a nossa vida.

 

Leia Também William II Elo passado-presente-futuro Sujeito descansado Maneiras de usar o floral nesse verão 2018