Derrubar-me-ão?

Postado por: José Ernani Almeida

Compartilhe

Esta é a mesóclise  indagativa que assombra  o usurpador ocupante do  Palácio do  Jaburú que, sem dúvida,  está com os dias contados   à frente  do governo golpista. As últimas  semanas  foram  pródigas ao escancarar os  motivos do golpe de  2016. Tornou-se cristalino que a  corrupção não passou de pretexto para a  derrubada de  Dilma Rousseff.

 A turma das panelas  e das  camisetas da  CBF, de forma constrangedora, manteve-se  quieta depois das  denúncias robustas  contra  Michel Temer. Kim  Kataguiri, líder do  MBL, paladino da moralidade, disse  à  mídia:   “Vamos ver se existe de fato uma prova mais contundente contra  Temer. Aí pressionaremos os deputados” (!!!!????). Não é de duvidar que o MBL atribua  a culpa ao gravador que registrou o diálogo de  Temer com o executivo da  JBS. Possivelmente surgirão provas de que o gravador é cubano, boliviano ou venezuelano! Enfim, a turma  da moralidade  de  2016 amarelou. A corrupção no governo  de  “salvação nacional” é tolerada.

Em outra  atitude desastrada Temer, cometeu um novo crime de responsabilidade,  ao chamar  as  Forças Armadas  para  “garantir a lei  e a ordem” no Distrito Federal, após manifestações  contra as reformas de seu governo. Diante de uma tsunami de críticas, acuado, voltou atrás e revogou  o decreto em menos de  12 horas.

 A convocação dos militares assanhou  as viúvas da ditadura  que nas redes sociais vibraram com o Exército nas ruas. Para decepcioná-los o General Sérgio  Etchegoyen, ministro chefe  do Gabinete de Segurança Institucional  da Presidência,  declarou em entrevista que  “ não faz o menor sentido falar em  militares no poder. É  pegar lençol e fingir  de fantasma  para assustar os outros”.  Portanto, as vivandeiras que gostam de bater nos portões  da caserna, em momentos de crise e  sedentas de autoritarismo,  estão desautorizadas.

Enquanto  a mídia conservadora  dava ênfase  aos  “danos  ao patrimônio público” em Brasília, durante as manifestações – condenáveis, concordo – a morte de  dez camponeses no Pará, não ganhou  o mesmo destaque. Estas dez vidas de  brasileiros são menos importantes do que o patrimônio público ? É assustadora a inversão de valores.

A indagação que assombra o Palácio do Jaburú – derrubar-me-ão? –, paira sobre o primeiro presidente  a ser investigado, no exercício  do cargo, por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da justiça. Um legítimo representante das oligarquias conservadoras nacionais e do mercado, este  interessado em eliminar as conquistas trabalhistas.

Temos hoje um  governo  que levou o país  à  uma  das mais graves crises políticas da história republicana. Ao analisar a atual situação do Brasil, lembrei-me do que disse  certa vez, o grande sociólogo Darcy Ribeiro: “ Não gostaria de estar no lugar dos que me venceram”.

 Com a inevitável queda de  Temer será necessária uma Emenda Constitucional para que possamos ter  um novo pleito geral  já. Uma eleição indireta contará com os votos de  513 deputados e  81  senadores, a maioria afundada em denúncias de corrupção, sem a menor legitimidade. Esta  virá com o  voto  de  quase  145 milhões  de cidadãos. O governo da mesóclise  acabou.

Leia Também William II Elo passado-presente-futuro Sujeito descansado Maneiras de usar o floral nesse verão 2018