A primeira riqueza de Ernestina

Postado por: Adalíbio Barth

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A corrida para aquisição de lotes de terra na região de Ernestina, foi motivada pela abundância de araucárias, prontas para o corte e a fácil comercialização deste produto. A “terra devoluta” do Estado, assim chamada pelos governos da Província, necessitava de um rápido povoamento e consequente produção de alimentos. Na região Norte existiam algumas cidades que já reclamavam da falta de abastecimento de produtos agrícolas. Mesmo com a circulação dos trens que interligavam as cidades e povoados que estavam surgindo, a partir dos anos de 1890, o transporte dava prioridade à madeira e aos passageiros.

Os maiores aventureiros e ousados madeireiros provieram da grande região do Taquari. Entre eles pode destacar-se Pedro Fett Sobrinho como um grande serrador, provindo de Lajeado, em 1904. Derrubavam os pinheiros e transportavam as toras através do rio Jacuí, para sua região de origem. Amarravam as toras com arames e as largavam sobre o leito do rio. Sabe-se que o Guilherme Eduardo Fett, filho do Pedro, ia sobre a madeira, pois era especialista em conduzir as toras, manejando os remos para direcionar a preciosa carga. Levavam quatro dias até o destino, sempre escolhendo as noites de luar. Os que acompanhavam o transporte da mercadoria, iam de cavalo junto ao leito do rio, até o destino. Levavam um cavalo de reserva, para todos voltarem juntos, festejando o bom comércio da época.

Na região da atual Esquina Penz estabeleceu-se Júlio Nicolau Penz, provindo da atual região de Venâncio Aires. Outrora, toda região banhada pelo rio Taquari, era conhecida como a terra dos “taquarianos”. Era casado com a sra. Bertha Kern. Teve família numerosa, depois que estabeleceu moradia na Colônia Dona   Ernestina. Sua propriedade era em torno de dez lotes (de 48 hectares cada um). Construiu uma serraria perto do atual cemitério da Esquina. Trabalhou com sua família na derrubada do mato e na serragem das toras. A madeira de todas as serrarias da região era levada em enormes carroções, puxados por três ou quatro juntas de bois, até a localidade de  Pulador. Lá, depois de negociada, descarregavam-na dentro dos vagões do trem, que a transportava para todo Estado.

Na localidade de Posse Gonçalves, atual Tio Hugo, havia a serraria localizada próxima ao Bairro Rabello, cujos proprietários eram os Srs. Fidêncio Fabris, Romano Trombini e João Coconi. Trabalharam na serragem de madeira, desde o ano de 1923.  Na mesma localidade, era conhecida a serraria do Sr. Alberto Bratz, que teve seu auge de trabalho, a partir de 1930. Não havia ainda caminhões para o transporte das toras de madeira. Tudo era feito com os carroções, puxados por várias juntas de bois. As toras chegavam a ter um metro de grossura.

Havia outras serrarias menores, todas ocupadas no serviço de corte da madeira e a serragem. Essa riqueza era negociada para a sobrevivência inicial de todos. Não se descuidavam, todavia, das pequenas plantações realizadas para o sustento da casa e também para o comércio que começou a surgir na localidade de Posse do Barão e num pequeno povoado que começou a surgir, mais fortemente em 1919, quando “Colônia Dona Ernestina” foi criado distrito de Passo Fundo. Este núcleo deu origem à atual cidade de Ernestina.

 Foto: Serraria na Esquina Penz, propriedade de Júlio Nicolau Penz, depois de 1925.


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