Sejamos mais respeitosos e humanos

Postado por: Juliano Roso

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Na última semana, um vídeo de um “comediante” rasgando uma notificação da Procuradoria Parlamentar da Câmara dos Deputados e a colocando dentro das calças causou polêmica na internet. Famoso por suas piadas contra minorias, e sobre sua óbvia dificuldade em distinguir liberdade de expressão de preconceito, o tal cidadão acumula casos e mais casos de agressões verbais contra mulheres, gays e negros. No último episódio, além de utilizar de todo o machismo para ofender a parlamentar que enviou a notificação, ele disparou: “Eu pago seu salário, então eu decido se você cala ou não a boca”. A arrogância do interlocutor pode assustar quem tenha um mínimo de educação, mas está longe de ser a pior bravata do “comediante”. Se fossemos enumerar aqui as frequentes expressões desqualificadoras e de raso conhecimento destiladas por ele nas redes sociais escreveríamos um livro.

Mas vamos nos ater apenas a um ponto básico: o respeito. Quem teve uma educação razoável tende a respeitar o próximo. Essa deveria ser a premissa básica de convivência em uma sociedade plural. Mas o que há atualmente, em um cenário cada vez mais bipolar, é a dificuldade em escutar e respeitar o outro. Em um momento histórico onde falta educação, sobra arrogância e ignorância. Baseados em uma visão rasa, de pouca informação (de escola e de casa mesmo), multiplicam-se casos em que os interlocutores confundem a liberdade de expressão com o preconceito. Criados em um mundo heteronormativo e branco, uma parcela significativa de nosso país destila agressões e piadas contra quem não se enquadra em um determinado perfil. E além disso acredita que a sua opinião, na maioria das vezes carregada de preconceito (fruto da rasa cultura), deve ser aceita por todos.

O exemplo do “comediante” infelizmente se repete todos os dias em todos os tipos de espaços públicos. A banalidade da agressão ao outro, ao dito inferior, só aumenta pois há público que festeja tais atos. E isso só ocorre pois falta empatia e, sobretudo, educação e respeito. Enquanto festejarmos a agressão contra gays, negros e outras minorias, mesmo que em piadas bobas do dia a dia, estaremos reforçando um pensamento que naturaliza uma agressão. Enquanto não dobrarmos nossa vigilância contra o preconceito de qualquer tipo estamos de alguma forma deixando que nossa sociedade crie e dê voz a pessoas pouco afeitas à gentileza. Sejamos vigilantes, sejamos educados, mas sobretudo respeitosos e humanos.

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