Conservação de valores, liberdade de ação

Postado por: Marcel Van Hattem

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Ser liberal é, em primeiríssima instância, defender a realidade das relações de troca existentes entre os homens desde sempre. Ser conservador é defender a realidade das escolhas morais orientadas pela verdade dos fatos, sem perder de vista a fronteira entre o certo e o errado. Tudo o mais que se diga desses posicionamentos é tentativa de rotular as pessoas a partir do uso que se pretende dar aos termos, independentemente de suas referências na realidade.

Aquilo que Karl Marx chamou capitalismo é nada mais que a prática de uma interação social inescapável – e seu estudo, sua compreensão e sua defesa estão estabilizados no escopo do liberalismo. Somos todos imensamente distintos, e cada um de nós é incapaz de prover para si tudo de que necessita. Por isso, temos de fazer trocas. Podemos ordenar essas dinâmicas desta ou daquela forma, mas o fundamento será sempre o mesmo. Inclusive, em todas as vezes em que se tentou aplicar aquele saco de ideias chamado socialismo, as relações de troca resistiram – clandestinamente (entre os indivíduos) e formalmente (entre Estado e cidadãos).

Já o verdadeiro conservadorismo – não a rotulação tacanha, utilizada maldosamente como sinônimo de atraso e estupidez – não poderia sequer ser chamado de conservadorismo. Isso porque não estamos falando de um ideário, como o é o socialismo (e.g.), mas de uma percepção acurada do mundo real, do que deu certo e do que deu errado ao longo da História, com a base de uma moralidade sempiterna, de um Direito Natural fundado na Verdade com "v" maiúsculo. Dizer-se conservador, sem atinência a essas ressalvas, é ser qualquer coisa, menos conservador.

Portanto, aquilo a que se chama conservadorismo e liberalismo são defesas das realidades naturais dos seres humanos. Já os ideários não passam de emulações, de representações quase-teatrais da percepção e, mormente, da incompreensão dessas realidades. Levar a Filosofia Política e a prática política ao campo das ideias é fugir da realidade, ignorando o apreço pelo conhecimento das coisas como são e as possibilidades de interação real com elas.

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