Esperança

Postado por: Adriano José da Silva

Compartilhe

            Estamos vivendo no Brasil, momentos de grandes desilusões. Neste exato momento em que escrevo essa coluna, fico a pensar no que escrever e, de que maneira escrever para que possa ser minimamente compreendido. O sentimento de frustração, de descrença no sistema como um todo pesa nesse momento. Porém, lembrei-me de que como Professor Universitário não posso perder minha essência de acreditar nas pessoas e no futuro do Brasil.

            Lembro-me da minha infância, na época da inflação, da falta de perspectiva e expectativa no futuro. Lembro-me também que em poucos anos atrás quem tinha vídeo cassete em casa era considerado rico, você media o talento da pessoa pelo número de linhas de telefone que esse talento tinha alugadas, pois não existia concorrência e o mercado de telecomunicações no Brasil era todo estatal, então, quem fosse amigo do rei teria preferência na longa fila de espera.

            Peguei-me a pensar na inflação e na hiperinflação que assolavam o Brasil, não permitiam a previsibilidade  e nem o ganho real do trabalhador, cada dia com sua agonia, era assim que a dona de casa administrava o orçamento familiar, o investidor tinha a opção do overnight, aplicação noturna. Do caçador de marajás, ao confisco das poupanças e o primeiro impeachment após a nova constituição brasileira, fomos do esperança a desesperança em menos de três anos. Ai veio a nova indústria automobilística como o Novo Fusca, ideia de Itamar para que todos pudessem ter um carro mesmo que popular.

            Uma nova esperança veio com o Plano Real, pensei dessa vez o Brasil vai engatar a quinta a marcha e faremos o país dos nossos sonhos o futuro para nossos filhos, seremos de fato uma grande potência econômica referência para o mundo. Nossa fome era tanta, que tivemos que importar manufaturas de vários países para suportar a demanda que o poder aquisitivo gerou.

            Veio à eleição e a reeleição de Fernando Henrique Cardoso e com ele as privatizações e a modernização do estado, também aconteceu o apagão. A eleição do Lula, uma transição pacífica, um governo de esperanças, de pacificação nacional, de um forte ajuste econômico, de aumentos reais no salário mínimo, do PAC, do mensalão e da sua reeleição.

            Em 2010 a eleição da presidente Dilma, a primeira mulher a liderar o Brasil, embalada na popularidade de Lula, tentou fazer um governo ético mas foi vencida pelo sistema. Reduziu a conta de luz com um decreto, bagunçou o mercado e afastou os investidores. Vendeu a alma para o diabo e venceu a disputa de 2014, sofreu o impeachment em 2016.

            A era Temer, era para ser nada a temer, com sua ponte para o futuro, e um governo de coalizão congressual, sinalizava importantes e profundas reformas que sinalizam a retomada do crescimento econômico com equilíbrio e responsabilidade fiscal. Na verdade a ponte para o futuro nada mais era do que um retorno ao passado. Pois finalmente os personagens que de fato mandaram no Brasil nos últimos 30 anos finalmente chegaram ao poder.

            O fato é que a história não é uma linha reta, ela é um constate zigue – zague, momentos avançamos e em outros retrocedemos. O Brasil evoluiu muito, tanto no aspecto econômico quanto no social. A dúvida que persiste é se a velocidade dessas mudanças atende as necessidades dos brasileiros.

No momento ainda discutimos condições adequadas de infraestrutura de escolas, merenda e valorização de professores, enquanto no futuro persiste a dúvida se a escola tradicional será relevante para os novos métodos de ensino e aprendizagem que surgem em uma grande velocidade. Tratamos nossas políticas públicas ainda de maneira a universalizar o acesso de toda a população, quando passaremos de fato a resolver os problemas?

Enfim, tenho esperanças no Brasil, acredito que já passamos por crises iguais ou mais severas que essa, não acredito que existam soluções ótimas em meio ao caos criados por homens em nossas instituições. Minha particular esperança está nas dúvidas que tenho quanto ao futuro, enquanto ainda for possível pensar e tentar encontrar respostas ainda existe esperança. 

Adriano José da Silva

Coordenador da IMED Business Scholl

Leia Também William II Elo passado-presente-futuro Sujeito descansado Maneiras de usar o floral nesse verão 2018