A Justiça injusta

Postado por: Dilerman Zanchet

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Qual a sua sensação ao saber que um indivíduo, considerado de alta periculosidade, ou seja, pode roubar, matar, estuprar, tanto faz, sem a menor carga de consciência, está solto, pelas ruas da cidade, sem sequer ser molestado?

E, o pior: Quando ele está em liberdade após ter sido acusado, julgado e condenado?

Quer mais? Pasme: Ele mesmo ingressa na Justiça pedindo indenização ao governo do Estado por estar preso em más condições, no Presídio Central de Porto Alegre?

Ainda pior: em uma ação de combate ao tráfico de drogas, este vagabundo atira e mata um policial de 39 anos, casado, pai de quatro filhos, que estava no cumprimento do dever?

E o dever do policial, assim como sua esposa e demais colegas, era defender a sociedade e entregar à Justiça elementos que delinquem, que são considerados nocivos à sociedade. Que descumprem as leis feitas pelos brasileiros, representados pelos políticos na Câmara e no Senado, que não cumprem as leis? E que a Justiça, que deveria fazer cumprir – e para isso se chama JUSTIÇA, não o faz? Ou o faz segundo a interpretação de alguns juízes, que se colocam acima do bem e do mal?

O que nós, pobres cidadãos, que recolhemos no mínimo 50% de impostos a cada produto que consumimos, em qualquer situação, e que assim somos quem paga os polpudos salários de promotores e juízes, podemos esperar? Qual a saída para a moral, a ética e a verdadeira JUSTIÇA?

No momento em que escrevo este artigo, mais em tom de desabafo, uma mulher chora, abraçada a quatro crianças, a perda de seu amor e de seu esteio. Da razão – provável, de seu viver. Chora o sentimento de derrota. O sentimento de uma mulher que viu sei colega policial baleado, com um tiro na cabeça, caído em seus braços, sem chances de sobreviver.

Esta mulher, policial, amada, amante, mãe, colega, chora o desrespeito de uma Justiça para com o cidadão. Lá estava ela, com seu marido, com seus colegas, para cumprirem o dever, desbaratando uma quadrilha de traficantes. Lá estava ela quando um tiro de um marginal, quadrilheiro - que chegou a gozar de liberdade em regime semiaberto depois de tantas pilhagens - acertou a cabeça de seu par.

Onde está a manifestação do Juiz da 2ª Vara de Execuções Penais de Porto Alegre, que concedeu saída especial ao bandido, há cerca de um ano?

Claro, já sei. O juiz é soberano. Ele, e só ele, sabe como interpretar a lei. E só a ele compete a decisão. Quase sempre incontestável.

Geralmente eles estão acima de tudo. E de todos.

Eu não acreditei, ainda, quando li que alguns delegados vão investigar os ferimentos em cinco vagabundes presos na mesma operação. Estavam com os rostos inchados e ensanguentados. Provavelmente tenham caído da escada, todos eles. Só falta, realmente, acusarem a vítima de ter batido neles antes de levar o tiro fatal.

Ainda acredito na Justiça. Ainda me restam alguns motivos para acreditar em Sérgio Moro, em Cármen Lúcia. Mas confesso que estou, como a grande maioria da população brasileira, perdendo a esperança de ver na Justiça, a verdadeira Justiça.

Espero, contudo, que os juízes e promotores que lerem estas linhas, façam a Justiça como ela tem realmente de ser feita. E que não acobertem, sob o manto sagrado da Lei, seus colegas que não são justos.

Que fique em Paz, junto aos céus, o espírito e a alma do policial Rodrigo Wilsen da Silveira. E que Deus abençoe e conforte sua esposa e seus filhos.

E que Deus, em sua infinita bondade, faça com que os policiais civis e militares deste país não percam as esperanças como a maioria dos brasileiros está perdendo, e continuem acreditando que este país tem rumo.

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