A Amazônia à venda

Postado por: José Ernani Almeida

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O reinado de trevas que passou a governar o Brasil depois do golpe de 2016, atinge todos os setores da vida nacional. Um deles, a agenda ambiental, é progressivamente desqualificada em nome da prosperidade do agronegócio e das grandes mineradoras. O governo golpista, segundo revela matéria da revista CartaCapital de 24 de maio, abre o caminho para legalizar a grilagem e favorecer a venda  de terras  a estrangeiros.

O World Wide Fund for Nature, organização internacional de proteção ambiental, afirma em seu mais recente dossiê, publicado em maio último, que “o Brasil vive uma ofensiva sem precedentes sobre as áreas protegidas”. Com o apoio do Planalto, a base parlamentar do governo golpista e com forte lobby dos setores ruralistas e de mineração, ameaça cerca de 10% do território preservado, em uma “estimativa conservadora”.

Na calada da noite, foram aprovadas as medidas provisórias 756 e 758, editadas por Temer no fim de 2016.Os  textos  ampliam  as possibilidades de exploração econômica em vastas áreas da Amazônia, que sofrem com a expansão das fronteiras agrícolas e com a corrida de  garimpeiros  e empresas de mineração.

No Pará, a Floresta Nacional do Jamanxim, teria a sua extensão reduzida de 1,3 milhão para 557,5 mil hectares. Pressionado, Temer vetou boa parte da MP, evitando um mal maior. O deputado, José Priante, do PMDB, relator da MP nr.756, graças  à manobras, incluiu no texto, o Parque Nacional de São Joaquim, em Sta. Catarina, que perdeu 10 mil hectares  ao ser  rebatizado  como “ Parque Nacional da Serra  Catarinense”.

Com isto, a Câmara vai reduzindo a proteção de uma das áreas mais vulneráveis do País. Segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o desmatamento na região atingiu 8 mil quilômetros quadrados em 2016, número 28,7% superior do ano  anterior.  O Pará já perdeu 3.025 quilômetros quadrados e cobertura vegetal. Coisa para Trump nenhum botar defeito. A Noruega, diante do avanço do desmatamento anunciou esta semana, durante a desastrada visita de Temer, o trapalhão a Europa, a  redução na  doação do país  ao Fundo Amazônia, da ordem de  166,5 milhões de reais.

 

Ficam cada vez mais evidentes  os motivos do golpe de  2016. Os golpistas   agiram em nome do mercado, em nome do poder econômico que os elegeu. Essas forças econômicas, por sua vez, nada têm de nacionais, apesar de serem brasileiras em muitos casos.

Na verdade se articulam diretamente com outros de sua espécie no âmbito internacional, e não relutam em entregar nossas riquezas. Estas pouco contam no cenário da globalização excludente iniciado em 1980. As riquezas nacionais, o povo, pouco importam. Tudo é colocado de joelhos diante da ditadura da redundância produtiva. E as panelas, antes retumbantes, agora assistem quietas ao saque  do  país !!!

Ao ler entristecido e revoltado sobre a depredação da Amazônia, lembrei-me dos versos da canção  “Borzeguim” de Tom Jobim, um verdadeiro hino ecológico: “Escuta o mato crescendo em paz/Escuta o mato crescendo/Escuta o vento cantando no arvoredo/Passarim  passarão no passaredo/Deixa  a índia criar seu curumim/Vá embora daqui coisa ruim/Some logo/Vá embora/Em nome de  Deus.”

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