Os cuidados indispensáveis com os sujeitos

Postado por: Israel Kujawa

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As delimitações das fronteiras entre sujeito e objeto, norma e transgressão, integração e exclusão e entre saúde e patologia, são resultados de um jogo de tensões e conflitos. Um caminho para construir um entendimento satisfatório deste espaço conceitual é reconhecendo sua amplitude, sua complexidade e sua importância. Trata-se de uma opção epistemológica que se contrapõem aos referenciais do positivismo cientificista moderno de interpretação do sujeito e de descrição da realidade, que consolidou a cultura binária com delimitações que permitiram a fantástica evolução cientifica, mas que restringem as atenções para um campo de pesquisa, que, na atualidade, se apresenta como indispensável.

Os referenciais para a compreensão e o detalhamento do sujeito são influenciados pelas teorias empiristas e racionalistas. O racionalismo irá indicar que o sujeito se constrói e produz o seu entendimento da realidade, a partir da bagagem cultural que está geneticamente armazenada dentro de si e da própria razão. O empirismo enfatiza os objetos, descrevendo o indivíduo como “tabula rasa” que pode se tornar sujeito a partir dos estímulos externos. Esta corrente de pensamento foi consolidada por pensadores como John Locke, Thomas Hobbes, George Berkeley e David Hume. Na sua versão contemporânea, está incluída nas teorias que se aproximam do behaviorismo.

Em uma das interpretações possíveis, vinculada ao behaviorismo, o sujeito é entendido como passivo, controlado pelo ambiente e reflexo de determinações materiais e externas. Como extensão desta compressão, os grupos sociais são passivos diante da ordem, do controle e da previsibilidade. No aspecto mais amplo, a organização da vida em sociedade, estaria assegurada pela diretriz de recompensas e punições.  Em outra interpretação possível, vinculada ao racionalismo, o sujeito aparece no idealismo de Platão, é reforçado e atualizado no espiritualismo do cristianismo medieval e apresentado em novas configurações no sujeito racional de Rene Descartes e de Immanuel Kant. Os exercícios teóricos que aproximam o racional e o empírico, forma sucedidos por entendimentos centralizados na linguagem.  Com isto, os entendimentos produzidos no século XX, se distanciam da Fé Medieval e da Razão Moderna, que se apresentavam como referenciais hegemônicos, passando a se apoiar no fenômeno da linguagem.

Este contexto conceitual demostra que as posições entre sujeito e objeto se alteram e se confundem, nas relações das pessoas entre si, com as informações, com a realidade material e com a realidade imaginária. No entanto, as descrições dos sujeitos e de seus comportamentos se vinculam com aspectos mentais ou psicológicos, decorrentes de influencias biológicas e dos sentidos atribuídos aos estímulos linguísticos decorrentes do contexto existencial. Desta forma, os cuidados com os sujeitos dependem de uma adequada leitura dos fatores que envolvem a sua construção e consolidação.

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