Agricultor: num ano assaltantes levam o caminhão e no outro polícia recolhe a sua colheitadeira

Postado por: João Altair da Silva

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É preciso ser persistente para ser produtor rural nesse país. Nelson Alérico, de Mato Castelhano, teve sua colheitadeira recolhida pela Polícia Rodoviária Estadual ontem. Transitava pela BR-285, mesmo com a precaução de ter retirado a plataforma, colocado uma caminhonete na frente de batedora, não teve perdão. Divergiram, ele e a polícia, e como sempre, o Estado autoritário e coercitivo leva a melhor, foi algemado e trazido até à polícia civil de Passo Fundo. Detalhe, sua colheitadeira não poderia rodar na BR por questão de segurança, a condução até o pátio do guincho, 15 quilômetros, no entanto, foi feita pela rodovia. Se oferecesse tanta insegurança, a polícia deveria ter feito o transporte em cima de um caminhão.

Digo que é preciso ser persistente para permanecer na atividade agrícola, porque esse produtor, no ano passado estava colhendo soja em uma lavoura na divisa de Mato Castelhano com Marau, quando chegaram os bandidos o amarraram no mato, levaram o seu caminhão carregado de soja e até hoje nenhuma força de segurança lhe trouxe uma informação sobre o paradeiro do veículo. Num ano, perde o caminhão para os assaltantes e no outro a polícia retém sua colheitadeira. Em casa ainda vive o dilema, juntamente com outros tantos colonos de, a qualquer hora perder suas terras para os índios.

Aliás, falando em índios, eles fazem transporte de um acampamento para o outro nesse mesmo trecho da rodovia, com famílias inteiras em cima de paus de araras sem serem interceptados pela polícia rodoviária.

Em fim, não resta outra alternativa ao produtor a não ser pagar R$ 600 de guincho, responder ao processo e continuar trabalhando para pagar as contas do país. A agricultura gera 30% dos empregos, quase 50% da renda, não fosse a agricultura não teria asfalto. Os colonos geram receita para o Estado construir as rodovias, mas depois não podem andar nelas. Faz me lembrar aquela música do operário que ajudou a construir o prédio mas depois nele não pôde entrar.

É preciso que os deputados ligados ao setor primário tomem peito. Façam uma lei, que assegure o transporte de colheitadeiras, atendendo as precauções de segurança. Todo o ano, é um dilema.

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