Policiais invadem casa errada para buscar contrabando

Postado por: João Altair da Silva

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Meu pai é um sujeito que nunca levou muita sorte com a polícia. Os três contatos que teve com ela em sua casa não foram agradáveis. Além disso, colono que é, cada vez que furtam um boi no seu potreiro, nenhuma força de segurança consegue encontrá-los.

Certa feita assaltaram um banco em Mato Castelhano e se embretaram nos matos do Ibama. Ao anoitecer invadiram a casa dele, tomaram o carro do filho e fugiram. Momentos depois apareceu uma patrulha. O comandante da operação disse: “tirei meus homens 20 minutos para jantar e os assaltantes apareceram”. Sim, numa campana para pegar assaltantes de banco e retirou os policiais para o jantar, abriu cancha para a manada estourar.

Há pouco tempo, apareceu um camburão da Polícia Federal na casa do velho, armados até os dentes, estavam acompanhando funcionários da Funai que querem demarcar as terras dos agricultores para os índios que apareceram por lá repentinamente.

Na última segunda-feira, ele mateava às 6h, quando foi surpreendido novamente por policiais. Com a escritura da terra amarelada, pensou: novamente eles aí para tomar nossas terras. Não! Queriam saber onde estava o estoque de cigarros contrabandeados do Paraguai. Argumentou que nem fumante era. Não adiantou. Mandaram que o casal se calasse sentados no sofá, sem levantar e foram vasculhando. Até no freezer deram uma conferida para ver se tinha algum pito congelado por ali. Com seus coturnos embarrados saíam da casa iam até o galpão e voltavam. O casal ali sentados, pasmos. A vizinhança que sabe da vida proba do seu Chico, espiava pelas janelas e trocava telefonemas. O que poderia estar acontecendo!

Em poucas palavras trocadas chegaram a conclusão de que estavam errados. O alvo era uma ex-namorada de um vizinho que, segundo consta, morou poucos dias por lá.

Onde está o erro? No despreparo de nossos representantes do Estado Brasileiro. O mandado de apreensão do juiz federal é um convite ao erro. Ele diz assim: “realize busca e apreensão na casa branca, com abertura marrom, localizada na localidade de Tijuco Preto, em uma via lateral a BR-285, cerca de 100 metros à direita”. Fiquei pasmo ao ver esse mandado. São muitas casas brancas com janelas marrons. Cerca de 100 m à direita de que? À direita de quem vem ou de quem vai?, afinal isso faz uma grande diferença num endereço. Não havia nome de ninguém no mandado.

Bem, o policial chefe deveria ter sensibilidade. Ao pegar uma ordem dessa é preciso estudá-la, investigar antes, ver nomes, conferir com a vizinhança onde residia a criminosa. Nada disso foi feito. Fico estupefato com o despreparo dos nossos representantes do Estado, em todos os níveis. Concursos tão seletivos e tanta carência no labor.

Difícil é cicatrizar as fissuras abertas na moral de um agricultor que, só sabe produzir arroz e feijão,e, na geografia do Rio Grande não é capaz nem ao menos de apontar para onde fica o Paraguai. A viagem mais distantes que fez nos seus quase 70 anos foi à romaria de Ibiaçá.  

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