É justa a Justiça?

Postado por: Dilerman Zanchet

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Há alguns dias tento escrever algo em relação às últimas decisões judiciais que atormentam a população de bem, para delírio da população de mal. O problema não foi encontrar motivos para escrever, mas a temerosidade do que pode acontecer com alguém que se coloca acima do bem e do mal, em relação a um pobre jornalista, ou a alguém que não diz “amém” para tudo.

As atitudes de alguns juízes, seja da comarca que forem, das estâncias que forem, para com os fatos pipocantes de nossa sociedade nos deixam com a pulga atrás da orelha.

Há algum tempo, se questiona interminantemente no Brasil porque um ladrão de galinhas vai para a cadeia e um político que rouba milhões não vai. Exemplos? Maluf, Aécio, Temer, Lula, Collor, Zé Dirceu, e a corriola toda. 

Não significa nada isso?

Quando um agente do Estado se coloca acima do bem e do mal, quando se coloca acima da lei, quando se coloca como inatingível, para onde vai a humanidade? Para que servem as regras? Mais: É moral? É ético?

Um juiz federal determinou, na semana passada, que a Polícia Federal fizesse uma diligência em determinada casa em Mato Castelhano, onde havia suspeita de contrabando. E lá vai o efetivo da PF, que anda desfalcado pela falta de verbas do governo federal, a cumprir a determinação judicial. Pé na porta, como se diz na gíria, e a casa era de um agricultor, daqueles que trabalham de sol a sol, dia e noite às vezes, quebrando geada ao amanhecer e torrando o lombo no sol para produzir alimentos e sustentar a família. Nada foi encontrado porque o endereço da ação era equivocado. “Casa branca com as janelas marrom”.

Quantas teríamos em um raio de 5 km?

Bem. Afora isso, o STF faz escola.

Quando a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam, determinam as provas, fazem todos os inquéritos e os “poderosos”, os “capas-pretas” mandam soltar. Precisa de mais exemplo do que os que estão ocorrendo diariamente em Brasília?

Alguém pode dizer o que é realmente isso?

Quando um assassino é preso em flagrante, por latrocínio ou por estupro, fica dez dias na cadeia e é solto por uma medida judicial (não sou advogado para termos técnicos),  isso significa o cumprimento da lei, restritamente? Ou a interpretação dela para quem tem o Código Penal em sua frente?

Quando um grupo de indígenas, praticamente nômades, expulsos de onde querem paragem e que não representam sua aldeia (palavras do cacique da tribo em uma emissora local), invade um prédio público, onde até tratamento dentário têm de graça, por conta do povo brasileiro, e agride os funcionários, é o quê mesmo?

E um juiz (a competência para tal é federal) determinou através de liminar que “fique no local uma comissão de 10 pessoas”, em detrimento do trabalho, da moral e da própria Lei, como podemos chamar?

Será que este magistrado não deveria ter consultado a Polícia Federal para saber quem eram os invasores, antes de tomar tal decisão?

Será que ele não deveria fazer valer a ordem e determinar a evacuação do local por parte dos invasores em nome da Lei?

Questiono isso, mesmo depois de tal determinação ter sido revogada e dada a ordem para que os funcionários voltassem aos postos de trabalho.

Será que eu posso, como cidadão, questionar isso?

Ou será que é a Justiça, e ponto final?

Será que é justa a Justiça?

Será?

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