A psicologia, a desigualdade e a segurança pública

Postado por: Israel Kujawa

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A origem da psicologia como área do conhecimento, não tem data exata, mas é localizada na Idade Antiga, vinculada com o termo grego psyché, que significa estudo da alma. Foi com os pré-socráticos que o homem começou a olhar para si próprio e para o mundo, com o objetivo de se compreender. Com Sócrates (469-399 a.C) a psicologia se envolve na definição dos limites que separam o ser humano dos animais. Deste objetivo surge a principal característica humana, associada com a razão, que tem a função de possibilitar o conhecimento de si mesmo, por meio do questionamento. Outro passo importante foi dado por Platão (427-347 a.C), que tinha uma visão dualista, ao conceber a alma separada do corpo. E em posição contrária, Aristóteles (348-322 a.C) defende que a alma é o princípio ativo da vida, associado ao corpo.

 A segurança pública está associada com a capacidade do indivíduo olhar para si mesmo, para o ambiente e perceber condições que assegurem a própria integridade física e mental. Esta capacidade não ocorre naturalmente, mas é construída pelas influências que incluem o atendimento das necessidades materiais, no ambiente em que nasce e vive seus primeiros anos.   Neste contexto, se inclui a alimentação, a habitação e a educação adequadas. Além das marcas do aspecto material específico, a auto construção das pessoas é influenciada pela percepção que elas têm dos outros. Nesta percepção estão os aspectos que atendam as condições mínimas para uma vida com dignidade, incluindo o sentimento de injustiça, que podem motivar comportamentos conflituosos.

Outro fator que auxilia na compreensão dos aspectos que explicam o envolvimento das pessoas com situações de violência, geradoras de insegurança, envolvem a busca do reconhecimento. Uma criança, no início da sua existência precisa ser olhada e reconhecida por seus cuidadores. Com o desenvolvimento, as formas de reconhecimento vão sendo alteradas, passando a ser mais afetadas por fatores sociais, mas não deixando de existir. O desenvolvimento sadio de um adolescente depende, também, do vínculo e do sentimento de pertencimento a um grupo.  O preenchimento dos requisitos para este pertencimento podem se sobrepor aos meios pelos quais os mesmos são atingidos, implicando, em muitos casos, na aquisição injusta e violenta, no qual se incluem o roubo e a comercialização ilícita.

 Posto isto, se faz necessário tratar do tema da segurança pública enfrentando as bases geradoras da mesma, que são as condições materiais e psicológicas. Em decorrência, é indispensável perceber que o aumento da desigualdade social, com o distanciamento entre poucos que tem além do necessário e muitos que não tem o mínimo, é uma das causa centrais da falta de segurança. Portanto, para melhorarmos os níveis de segurança social, se faz necessário intervenções que assegurem as condições materiais e psicológicas adequadas para a auto construção dos sujeitos. Nestas intervenções se incluem, a aplicação adequada dos conceitos de acolhimento, assistência, cidadania, educação, saúde e justiça, como áreas que devem promover ações interconectadas. 

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