90 anos do Mestre Paixão!

Postado por: Isadora Fochi

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O ano de 2017 é considerado histórico para o tradicionalismo, pois nele comemoramos os 70 anos do acendimento da primeira chama crioula. Porém, neste ano, um grande tradicionalista, folclorista e amante do Rio Grande completa nove décadas de vida, história e muita cultura: Paixão Cortes. Há exatos noventa anos atrás, em 12 de Julho de 1927, nascia em Santana do Livramento a principal figura no resgate das tradições do nosso estado. Um garoto da fronteira oeste que, no ano de 1947 se encontrava arranchado na capital, Porto Alegre, para estudar, acostumado com as lides de campo, via a cultura do estado ser esquecida aos poucos e ser substituída pela cultura norte-americana, decidiu juntar-se a mais sete jovens e “reagauchar” o Rio Grande. Assim, em 1947 surge a primeira Chama Crioula e Ronda gaúcha, que viria a originar a Semana Farroupilha.

Além de ser um dos pioneiros no tradicionalismo, Paixão recolheu diversas manifestações folclóricas por todo o nosso estado, especialmente as danças, que junto a Barbosa Lessa, formaram o livro “Manual de Danças Gaúchas”. Paixão está também presente nos cartões postais do Rio Grande do Sul, pois serviu como modelo para a estátua do Laçador, hoje, símbolo de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Formado em agronomia recebeu a medalha Assis Brasil em destaque por seu trabalho para com a agropecuária e também do governo do Estado, recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio, em honra aos seus feitos folclóricos e culturais. Seu trabalho foi reconhecido pelos gaúchos, o que rendeu sua presença entre os “20 gaúchos que marcaram o século XX”, ao lado de figuras como Getúlio Vargas.

No último dia 2, Paixão Cortês anunciou seu afastamento da vida pública, decidiu-se recolher junto a sua família, mas isso não o impede de continuar pesquisando aquilo que mais ama: nossa cultura. Em uma entrevista concedida à RBS, Paixão disse “O que importa é que as novas gerações estão dando continuidade aos nossos valores". Portanto, assim como jovens liderados por Paixão foram os responsáveis pela formação do tradicionalismo, os jovens de hoje são os responsáveis por sua continuidade para que o bem e o futuro de nossa cultura esteja garantido, assim como Paixão o garantiu em 1947.

Somos todos extremamente gratos à ti, Paixão, nosso eterno Tropeiro da Tradição! Parabéns pelo teu dia e pela tua história!

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