A vida política em Ernestina

Postado por: Adalíbio Barth

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Quando se fala em eleições, a população antiga do município de Ernestina, se recorda dos tempos em que a polarização das urnas, era entre o PTB e o PSD. Distribuíam farto material de campanha, especialmente quando eram eleições presidenciais. Acompanhavam a propaganda pelo rádio, pois não havia outro meio de comunicação ao redor dos anos de 1950. Nas grandes cidades eram realizados comícios para governador ou presidente. Quando os ânimos estavam mais acirrados, às vezes formavam caravanas e partiam para participar do tal de comício, parecendo mais uma torcida por um time de esportes do que propriamente consciência política.

De todo interior vinham os eleitores votar na sede do distrito. Já carregavam junto a cédula preenchida, ou quando o caminhão chegava, vinham os cabos eleitorais, “ajudar” a preencher a ficha, com o argumento de não correr o risco de “anular o voto”, caso fosse preenchido de maneira errada. Os caminhões repletos de gente, exerciam o seu dever cívico, tomavam bebidas alcoólicas e voltavam em seguida, pois, a apuração dos votos era em Passo Fundo e o resultado demorava para chegar. Muitos voltavam posteriormente à sede distrital, para comemorar com seu candidato vitorioso, um suculento churrasco da vitória, com direito à carreata e foguetes.

Antes de 1940 havia a convicção de que somente os homens deviam meter-se nesse assunto de eleições. Todavia, muitas mulheres possuíam títulos e votavam.

Um fato marcante em Ernestina foi o Núcleo dos Integralistas, chamados de “camisas verdes”, cujo chefe nacional era Plínio Salgado. Era um movimento de extrema direita, inspirado nos princípios do movimento fascista italiano, em 1937. Plínio foi exilado em Portugal e na sua volta fundou o partido do PRP. Os encontros dos Integralistas geralmente aconteciam na casa do Sr. João Clemente Elsing. Sempre usavam uniforme verde.

No ano de 1919, o atual Município de Ernestina foi criado distrito de Passo Fundo, com o nome de “Colônia Dona Ernestina”, nome igual dado pelo colonizador Tenente Coronel Ernesto Carneiro da Fontoura, quando veio a esta região, para lotear e vender a área recebida pelo governo, visando uma colonização que produzisse alimentos para as cidades maiores que estavam surgindo. Assim continuou como distrito até sua emancipação em 11 de abril de 1988, ficando somente o nome de “Ernestina” para o novo Município.

As pessoas que se envolveram no processo de emancipação do Município, desgastaram-se muito com as discussões realizadas, especialmente no interior. Sempre havia pessoas interessadas em deixar tudo como está, com uma mente muito estreita, sem nenhuma visão de futuro. O descaso do município-mãe Passo Fundo, com seus distritos, era total. Havia interesse em deixar as pessoas na ignorância. Felizmente, após boa campanha de esclarecimentos, quando chegou o dia do plebiscito, em 20.12.1987, o SIM recebeu 1.192 votos, contra apenas 43 votos pelo NÃO.

Elevado à condição de Município, continua até hoje realizando suas eleições para a administração municipal. E, como todos os municípios pequenos, há acirradas disputas eleitorais, que poderiam ser evitadas para não dividir a população. Após cada eleição, demora muito tempo até sanar as feridas abertas pelas disputas eleitorais. O melhor seria o sistema europeu: Somente há eleições em municípios acima de dez mil habitantes.

Nos outros, a justiça nomeia o administrador, pelos melhores critérios de consenso.

Foto: Encontro político dos integralistas, na casa de João Clemente Elsing, em 1937. Usavam uniforme verde.

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