Lendas, histórias e estórias

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Começamos com uma lenda que mais parece intriga da oposição. Dizem que a Vemag do Brasil, que fabricava o DKW Belcar, o Fissoure, o Kandango e a Vemaguete, era uma concorrência tão forte para o Fusca que a VW se viu obrigada a comprar a fábrica e encerrar a produção dos carrinhos de motor 2 tempos para as vendas do besouro finalmente deslancharem. Verdade ou lenda? E por onde andam os DKW hoje em dia? Sobrou algum?

O Fusca GL 1300, versão luxuosa do besouro fabricada por um curtíssimo período (menos de um ano) e exclusivamente na cor azul, está envolvido em uma lenda muito pitoresca. O caso seria que um funcionário da VW que havia adquirido um modelo GL mandou, ainda na linha de produção, que o carro fosse pintado de rosa. Depois de pronto, o resultado teria agradado tanto que mais alguns GL teriam sido pintados de rosa. Porém, nunca foram vistos rodando fora dos muros da fábrica. Aliás, alguém já viu ao vivo um Fusca GL?

Mesmo sendo verídica, é incrível a história de que após a primeira morte do Fusca, em 1986, mais cinco unidades teriam sido montadas em 1987, exclusivamente para uso do marketing da VW. Contudo, foram consideradas "fora de série" e, ao que sabe, apenas duas unidades estavam rodando em 2016. Uma muito bem conservada, parte de uma coleção particular e outra unidade bem judiada, sendo carro do dia-a-dia de um trabalhador de uma cidade do interior. Das outras 3 unidades nada se sabe, mas podem estar guardadas a 7 chaves por algum colecionador ou, quem sabe, coberto de poeira na garagem do seu vizinho.

Parecendo mais despeito da concorrência que propriamente uma lenda é a história de que não foi o Presidente Itamar Franco que pediu que o Fusca voltasse a ser produzido. Dizem as más línguas que foi a própria VW que apresentou um projeto ao governo federal para ressuscitar o Fusca. Uns dizem que foi por causa do enorme estoque de peças encalhadas. Outros dizem que o Fusca voltou em 1993 porque o projeto do Gol 1000 ainda não estava finalizado e a VW não queria perder o incentivo federal (redução de 50% do IPI) para a produção de um carro popular e acabar ficando atrás das outras montadoras. A lei que concedia esse benefício previa que o carro popular deveria ter motor de 1.0 litro e custar no máximo 6.800,00. Mas uma brecha na lei beneficiava o Fusca, permitindo que carros com motores de 1.6 litros, desde que refrigerados a ar, também obtivessem o benefício. Todavia, oficialmente foi o presidente Itamar Franco que pediu para que a VW voltasse a produzir o Fusca. De qualquer maneira, ganhamos todos, pois mais de 40 mil novos Fuscas foram fabricados, para a nossa alegria.

A história mais polêmica diz respeito ao verdadeiro pai do Fusca. Oficialmente a história foi escrita com Ferdinand Porsche como criador do Fusca, a pedido de Adolf Hitler. Mas pesquisadores afirmam que o próprio Fürher foi quem descobriu, em uma feira automobilística em 1933, um protótipo de carro popular nos moldes que procurava. Por azar, seu criador era um engenheiro e jornalista judeu chamado Josef Ganz. Após tomar notas do projeto e até fazer alguns esboços do protótipo (pois tinha alguns dotes artísticos e até havia tentado a vida como pintor antes de entrar para o partido nazista), Hitler teria feito a encomenda do VolksAuto a Porsche, entregando a ele suas anotações. Porsche teria inclusive feito um test drive em um dos modelos de Ganz, o Standart Superior. Mais tarde, Josef Ganz foi preso pela Gestapo, a polícia nazista, acusado de chantagem industrial. Um ano mais tarde foi solto, mas nunca mais conseguiu retomar a carreira, morrendo na Austrália em 1967.

Sabe de alguma história pitoresca sobre o Fusca, uma lenda, um causo ou uma curiosidade? Tem alguma sugestão ou crítica para a nossa coluna? Escreva para a gente aqui nos comentários. Um grande abraço e até a próxima semana.

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