Momento de tensão na 7ª CRE

Postado por: Dilerman Zanchet

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A 7ª Coordenadoria Regional de Educação tem vivido dias de grande expectativa: há mais de três meses a professora Verônica Zanandrea vinha atuando como Coordenadora Interina, após a saída de Santos Misturini.

Tão logo o então coordenador se afastou, um grande segmento da comunidade escolar encaminhou às autoridades o desejo de que a professora Verônica desse continuidade ao trabalho. Até na semana passada.

Tenho, no magistério público, algumas raízes familiares, um profundo respeito pela profissão (afinal foi com elas, professoras, que aprendi a escrever e ser o que sou), além de admiração, pois em minha família ainda persistem estas raízes para o futuro.

Mas o que aconteceu na semana passada, quando foi anunciado que o cargo passaria a ser exercido por outra pessoa, causou tremendo espanto, indignação e, claro, insatisfação.

Conforme apurei, a reação de surpresa da equipe da 7ª CRE e de grande parte das direções de escolas estaduais se deve ao fato de a professora Verônica já vir desenvolvendo um trabalho consistente junto à rede, de profundo conhecimento do funcionamento não só das escolas estaduais como casos específicos envolvidos em cada comunidade escolar e das políticas em andamento na atual gestão estadual.

Verônica é formada em Geografia e teve toda a sua vida profissional voltada ao ensino, tendo atuado como professora em diversas instituições estaduais de Passo Fundo e da região. Tão forte quanto a sua competência como professora é a sua seriedade como gestora de recursos humanos na área educacional: Verônica já atuou como Chefe de Recursos Humanos da CRE no período compreendido entre 2003 a 2007, e como Chefe Administrativa da Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo entre 1997 a 2000, época em que assessorou a Secretária Neusa Rocha, período até hoje reconhecido pelos professores da rede municipal como um dos mais produtivos e enriquecedores da rede. Em 2015, já aposentada como professora, voltou à CRE, no cargo de Coordenadora Adjunta.

A instabilidade do momento, segundo os que pleiteiam a permanência da professora Verônica, diz respeito ao fato de a mesma ser conhecedora de todas as linhas de ação em andamento na rede estadual, o que, pode-se imaginar, é bastante complexo, especialmente considerando as reformas que têm ocorrido no ensino médio, as formações de professores e de gestores que estão em processo, as normativas adotadas pelo administração pública estadual, elementos esses que demandam tempo para serem assimilados.

Por isso o medo: todos sabem que não é fácil tomar pé de uma situação diferenciada como essa. Isso não ocorre em um dia, nem em uma semana, nem mesmo em um único mês. Os inícios de administrações geralmente penam e costumam contar com um período em que a própria população lhes concede um tempo para a adaptação. No entanto, nesse caso específico alguém sem conhecimento da área chega, passados dois anos e meio de uma administração, para tomar pé dos fatos e, somente depois, dar continuidade às ações.

Qual seria o prejuízo dessa troca para as escolas estaduais, que já tem seus problemas cotidianos com os quais tem de conviver? Por que não simplesmente dar sequência ao trabalho que vinha sendo magistralmente coordenado pela professora Verônica?

Sua capacidade de gestão de pessoas, ao que apurei e pelo que conheço, é inegável e, neste quadro de crise econômica e institucional pelo qual o país todo passa, a medida mais ponderada e inteligente seria mantê-la no comando da 7ª CRE.

Trocar o certo pelo duvidoso não é o perfil do atual governo estadual, que afirmou, no início do mandato, que utilizaria técnicos em cada área vital do Estado, a fim de promover uma grande gestão. Esta é uma oportunidade.

Um pedido, senhor Governador: faça valer a voz da comunidade escolar da região. Não se deixe levar por convicções partidárias que hoje dizem A e, na volta do vento, afirmam B.

 

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