O comprador de porcos, em Ernestina

Postado por: Adalíbio Barth

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Hoje os tempos são diferentes daqueles de nossos antepassados que engor­davam porcos como meio de sustento da família. Os recursos para a engorda também eram mais difíceis do que os atuais, quando não existia a ração e os remédios adequados. Hoje, tudo já vem pronto e na medida certa. Cada um inventava o que mais lhe convinha ou imaginava ser mais conveniente, con­forme tradição dos antepassados.

Geralmente depois da engorda havia uma pequena concorrência para ven­der ao comerciante que oferecesse um preço melhor. A maioria dos criadores eram fregueses deste ou daquele comprador, com longa lista de com­pras já realizadas, em sua tradicional “venda”. Assim, na caderneta constava longa lista de produtos já adquiridos anteriormente, com a garantia de pagamento com a venda posterior dos porcos. Na verdade, a carga de porcos já estava penhorada.

O caminhão do comerciante encostava cedo, ao lado do chiqueiro, antes do primeiro trato. A forte buzina acordava o proprietário que vibrava com a chegada do credor, ainda confiante em algumas sobras de caixa.

A balança nivelada era certeza de peso justo. Para não levantar suspeitas, o comerciante se pesava por primeiro, já dizendo seu peso certo. Depois, o agri­cultor com toda sua filharada. Desfeitas as dúvidas, iniciava-se a pesagem dos bichos. O peso era anotado pelo mais letrado da prole. O comerciante aceitava somente o peso arredondado em quilos. Se desse meio quilo a mais, mandava arredondar para baixo, dizendo:

- Meio quilo, nem o diabo não quer!

E assim foi indo até a pesagem do último bicho imundo.

Todavia, o colono não conseguia entender a esperteza do comprador. Al­guns dias depois, estando em sua casa de negócios, realizou diversas compras, todas de meio quilo. E ao sair com a sacola repleta de mercadorias de meio quilo, ouviu o comerciante gritar:

É para anotar?

- Não! - Respondeu o colono. - Meio quilo nem o diabo não quer. 

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