A sociedade civil organizada, calada!

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Os movimentos sociais organizados vivem um momento de crise, com dificuldades para mobilização da militância e conseqüente apatia, jamais vista na história de nosso País. Uma das principais causas está nas revelações de escândalos criminosos de corrupção, que já viraram rotina no meio político, incluindo lideranças sindicais e de movimentos populares. As reformas política, trabalhista e previdenciária, estão sendo votadas e aprovadas, com verdadeiros “descalabros” sociais e morais, que ferem letalmente os direitos sociais dos brasileiros. Aumentos abusivos de impostos e manobras políticas imorais, são feitas a luz do dia. Até quando o povo irá “assistir” calado a todas estas atrocidades?

O Brasil que até bem pouco tempo atrás, estava sendo visto como modelo de desenvolvimento econômico e social na América Latina, agora é citado como o País com o maior esquema de corrupção e lavagem de dinheiro da América. Vários países vizinhos do Brasil, que mantinham relações espúrias em obras públicas, também estão movendo ações judiciais contra políticos e governantes envolvidos. A Operação Lava a Jato causou efeitos internacionais, atingindo proporções inimagináveis. Os brasileiros estão pagando um preço alto pela corrupção: estados e municípios falidos, milhões de pessoas desempregadas, sistemas de saúde pública e segurança, precários, pra não dizer caóticos. Assistimos todos os dias, notícias de pessoas que morrem nas filas dos hospitais aguardando por atendimento, por tratamentos especiais ou medicamentos que não estão sendo disponibilizados. A segurança pública, nos assombra com os índices de homicídio, superiores a muitas guerras civis. O povo está “acuado”, e o governo, inerte, sem moral e com ações mesquinhas, pensando apenas em salvar a sua própria pele. Há poucos dias, o relator da reforma política na Câmara dos Deputados Federais, Deputado Vicente Cândido (PT-SP), propôs uma emenda que impede a prisão de candidatos, oito meses antes das eleições, o que livraria muitos “caciques” da política brasileira, envolvidos em esquemas de corrupção, de irem para a cadeia. Na semana passada, um aumento abusivo no preço dos combustíveis, pegou os brasileiros de tanques vazios, literalmente. O aumento no preço dos combustíveis, trará conseqüências imensuráveis na economia, agravando a crise com mais este arrocho fiscal na conta dos brasileiros.

Com tantas afrontas aos interesses populares, uma pergunta fica sem resposta: Onde estão os sindicatos de classes nestas horas? Onde estão os movimentos populares organizados: Movimento Brasil Livre (MBL), Movimento dos Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE) e tantos outros movimentos representativos existentes no Brasil? O silêncio destas entidades é preocupante para todos nós trabalhadores... Há poucos dias, foi aprovada a reforma trabalhista, que entrará em vigor em 90 dias após a sua promulgação, e nesta reforma, está o fim do imposto sindical obrigatório, que na minha opinião, enfraquece ainda mais os sindicatos de classe. A passividade do povo brasileiro chegou ao seu limite, chegou a hora da tolerância zero com a corrupção, com os conchavos políticos e até mesmo jurídicos. Chega de vermos os autos escalões dos três poderes sendo beneficiados com fartos recursos e benefícios, enquanto o povo sofre com migalhas e arrochos fiscais. Vamos tirar da letargia as nossas entidades representativas. A hora é de irmos para as ruas, ocuparmos as Câmaras de Vereadores, as Assembéias Estaduais e o Congresso Nacional. Chega de entidade “Chapa Branca”, que vive para defender interesses particulares, ou partidários. Não somos um País de “Nós contra Eles”, mas uma Nação de brasileiros, de homens e mulheres de bem, trabalhadores e trabalhadoras que sentem orgulho de nosso País, e carecem com urgência de políticas públicas.

A sociedade civil organizada, tem a obrigação moral e legal, de reagir a estas e tantas outras agressões aos direitos dos brasileiros. Não se trata de uma posição ideológica em questão, mas sim, da defesa da classe operária, da população mais vulnerável, que sofre com a precariedade dos serviços públicos, com a exclusão social e com o desemprego.

 “Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer.” Santo Agostinho

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