O lógico, o psicológico e o social

Postado por: Israel Kujawa

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Descobrir e descrever de forma científica, a lógica do funcionamento da natureza, do comportamento, dos indivíduos e da sociedade, está no horizonte da ciência moderna. A partir do método cartesiano, o pensamento acadêmico evoluiu em inúmeras áreas, possibilitando a consolidação de novas ciências, entre as quais, estão a psicologia e a sociologia.  A divisão do todo em partes permitiu a consolidação das especialidades e o avanço do conhecimento científico. Contudo, as especializações em áreas cada vez mais restritivas, explicitam uma contradição, em que o aprofundamento em uma área do saber, perde o contato com o todo, implicando na situação em que o especialista é aquele que sabe cada vez mais coisas sobre menos, a ponto de saber quase tudo sobre nada.

  No final do século XX, um pensamento atribuído a Blaise Pascal, ganha força na teoria da complexidade, apresentada por Edgar Morin. Este pensamento é sintetizado na frase: “acho impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, e impossível conhecer o todo sem conhecer cada uma das partes”. Nesta frase temos um confronto com a cultura, calcificada nos indivíduos e nas instituições, que apresentaram as disciplinas como compartimentos estanques, na qual a sociologia não está relacionada com a história nem com a psicologia. Uma das consequências desta separação é que as decisões são deixadas para especialistas, que não consideram as consequências amplas de suas ações.

Ao se distanciar e separar o conhecimento da complexidade do mundo atual, em que tudo se relaciona, somos condicionados a ver os assuntos de maneira isolada. Entre os exemplos deste condicionamento está a baixa disponibilidade em interpretar a atual crise brasileira, na sua relação com reestruturação geopolítica do mundo. Um exercício vivenciado em instituições acadêmicas para aproximar o que foi separado é a interdisciplinaridade, que visa uma aproximação das áreas do conhecimento. No entanto, a prática tem demonstrado que as disciplinas permanecem enraizadas em si mesmas, sem tratar dos problemas identificadas a partir da totalidade.

Um exercício para realizar uma descrição dos problemas advindos das relações entre natureza, sociedade e indivíduos está na prática da transdisciplinaridade. Para que isto ocorra, se faz necessário convicção teórica e superação do conforto proporcionado pelos limites estabelecidos a partir da separação entre lógico, o social e o individual. Em seu lugar deverá predominar a prática prescrita pela complexidade, em que as partes são compreendias nas suas relações com o todo e as decisões são tomadas visando os benefícios da totalidade. 

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