Vocação cidadã

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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A palavra vocação tem origem no termo latino vocare que significa chamado. Tem uma densidade maior que convite.  Chamado é como um apelo, a proposta para suprir uma necessidade. A reflexão cristã liga vocação ao chamado, a participar da obra de Deus. Segundo a concepção cristã, este chamado tem diferentes níveis.

Em um primeiro nível está o chamado à vida. Se na biologia a vida e o resultado de um conjunto de fatores naturais, para os cristãos ela é dom e graça de Deus. Deus nos chamou a vida. O ato de viver e cuidar da nossa vida é a resposta ao chamado divino.

Há um segundo chamado, o chamado a participação cristã.  O sacramento do Batismo ritualiza este chamado.  A palavra batismo, na língua grega baptizein e latina baptizare significa mergulho, imersão completa.  A pessoa batizada é mergulhada na vida cristã, através do mergulho na participação da sua comunidade de fé. É ungida para que, com a força de Cristo, dê o testemunho de fé no mundo.

Não batizamos uma pessoa por mero ato social ou formal. Batizamos para que ela tome parte da comunidade cristã na qual acreditamos. O batismo requer passos posteriores que vão reforçando este chamado de Deus e a consequente responsabilidade da pessoa pela sua obra. Ser batizado e agir desconhecendo a proposta de Jesus Cristo ou viver afastado da comunidade cristã não tem sentido.

Recordo um outro chamado decorrente deste segundo. Enquanto cristão, mergulhado na proposta de Jesus Cristo, a pessoa atua no mundo. O mundo é o seu lugar de ação, de viver a experiência cristã, pois fora do mundo não há salvação para os cristãos. Este mundo é a nossa sociedade, é o nosso país. Daí o chamado a exercermos a vocação cidadã. A grande tentação é nos fecharmos no nosso mundo particular, assumindo uma conduta de vida egoísta e despreocupada com o que passa ao redor. Abdicamos do exercício da cidadania.

A atual conjuntura é preocupante. Algumas instituições fundamentais do Brasil, sobretudo ligadas ao mundo político, têm falhado. Como agir?  Não imaginemos que a ida as ruas nos anos passados protestando contra corrupção e outras demandas tenha sido apenas um “picnic cívico”, sem maiores consequências. Acreditemos que foi o exercício da cidadania. Contudo a situação em termos de corrupção, economia e perda direitos continua tão grave, senão mais, que antes.

Chamo atenção para um trecho da nota dos bispos ligados às pastorais sociais da CNBB, divulgada no dia 01 de agosto. Afirma: “clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social. O governo, em lugar de fortalecer o papel do Estado para atender as necessidades e os direitos dos mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital, sobretudo financeiro especulativo, penalizando os mais pobres, por exemplo com a reforma da previdência, falsamente justificada”.

A vocação cidadã compreende agirmos enquanto cidadãos sobretudo em vista de uma nação mais honesta, justa e solidária. Como estamos exercendo a nossa vocação à cidadania?

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