Freud, Jung e a Inteligência Espiritual

Postado por: Israel Kujawa

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O materialismo moderno negou tudo aquilo que estivesse além do físico e comprovado pela ciência. Nisto está incluída consciência, cuja descrição estava limitada a uma dimensão biológica da atividade cerebral. Esta cultura, fez com que a fé e a espiritualidade ficassem reclusas nos templos ecumênicos, pertencentes às diversas religiões. No entanto, esta visão começou a mudar, no século XX, com múltiplas pesquisas, incluindo a física quântica, ao estudar as dimensões não materiais da realidade e a psicologia, ao estudar as influências do pensamento no comportamento.

  Para Sigmund Freud, a mente humana é constituída de pulsões primárias, expressas em comportamentos egoístas que, ao serem realizados, podem provocar prejuízos para a sociedade. A religião, neste caso, é entendida como um método para ajustar a tensão entre o individual e o social, canalizando as pulsões para atividades úteis e   em maior sintonia com a vida em coletividade. O desenvolvimento de atitudes sociáveis consolidadas na história cultural culminaram no fato religioso, dando base ao pensamento freudiano de que a religião foi criada pelo homem em uma espécie de pacto para assegurar a vida social civilizada e punir as ações antissociais do ser humano.

 Jung, assim como Freud, também se formou em Medicina e se deparou com inúmeros casos de doenças, que não tinham explicação orgânica, biológica ou material. Esta constatação está entre os motivos que explicam a aproximação entre os dois, materializada em um primeiro encontro que durou aproximadamente treze horas de conversa amigável. Esta aproximação foi sucedida por um rompimento, entre outros motivos, pela disposição de Jung em incluir em suas pesquisas, o ocultismo, que era um fenômeno exclusivo do misticismo e das religiões, sem respaldo da ciência. Diferentemente de Freud, que desejava desenvolver sua teoria sem grandes rupturas com o paradigma científico materialista moderno, Jung argumenta que a espiritualidade não é uma construção antropocêntrica, mas um fenômeno transcendental, necessário e que deve ser amplamente pesquisado.

 O pensamento científico do século XXI, abre espaço para um paradigma diferenciado do materialismo que sustentou a ciência moderna. As leis quânticas estão consolidado a superação do pensamento antropocêntrico e racional, que posicionavam o homem no topo da hierarquia existencial, ao demonstrar que o universo e tudo o que nele habita (incluindo o humano) são interconectados e interdependentes. Além disto, este modo de pensar abre espaços para incluir a inteligência espiritual, onde estão situados os arquétipos mais ligados com a criatividade e com a emoção do que com a razão. Em decorrência disto, as inteligências demandadas para tratar dos desafios apresentados neste século tendem a se aproximar mais de Jung do que de Freud. 

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