Sonhos tolhidos

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Ao longo de nossa vida, conforme vamos envelhecendo, nos tornamos mais pragmáticos, descrentes de muitos sonhos e esperanças, que tínhamos quando criança. O entusiasmo e empolgação dos jovens, ao revelarem seus sonhos, é algo contagiante. Por mais difícil que este sonho possa parecer, improvável ou estatisticamente impossível, ainda assim, eles acreditam em seus sonhos.

A vida adulta nos trás várias vantagens: somos independentes, saímos e voltamos pra casa a hora que queremos, trabalhamos, temos nossos salários, podemos assistir filmes sem se preocupar com a proibição a menoridade, podemos viajar sozinhos, beber bebidas alcoólicas (mas não dirigir), namorar e assim por diante. Porém, nem tudo são flores em nossa vida adulta, pois além de envelhecermos e nos aproximarmos a cada dia do fim da vida, temos muitos compromissos e obrigações, que não fazem parte da vida juvenil, tais como: trabalhar, respeitar horários e patrão, pagar impostos, se preocupar com a educação e futuro dos filhos, ser imputável criminalmente por qualquer ato ilícito, ter comportamento sério e responsável na maior parte de nosso tempo, além de perdermos esta maravilhosa e fantástica capacidade que os jovens possuem, de acreditarem nos sonhos impossíveis.

 Outro dia, assistindo a um documentário sobre a exploração do trabalho infantil, no norte e nordeste de nosso País, ouvi com muita tristeza as entrevistas das crianças trabalhando como quebradeiras de castanhas e nos fornos de carvão, dizendo que “sonhavam” em ser: médicos, engenheiros, advogados, policiais, pilotos de avião e assim por diante... Para elas, estes sonhos infantis, um dia seriam realizáveis, mas para nós adultos, com nossa análise pragmática e realista da situação, vimos ali, sonhos tolhidos, futuros comprometidos e predestinados a vidas sofridas, em trabalhos insalubres e mau remunerados. São milhões de crianças e jovens brasileiros, “achacados” pela incompetência e pela roubalheira de sucessivos governantes indignos de nosso voto, de nossa confiança e esperança.

Eu quero assim como as crianças e jovens de nosso Brasil, voltar a sonhar e ter esperança. Quero acreditar que “um mundo melhor é possível”! A sociedade brasileira precisa desta motivação juvenil, embora que os fatos cotidianos nos digam ao contrário, a esperança e o sonho de uma vida mais digna, igualitária, com oportunidades e direitos garantidos a todos, deve ser perseguida e idealizada por todos nós.   

A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.Santo Agostinho

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