O coronelismo do PSDB paulista

Postado por: José Ernani Almeida

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A ex-ouvidora-geral da Defensoria Pública de São Paulo e coordenadora-geral do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais Luciana Cardoso, está publicando uma importante pesquisa, baseada em sua tese de doutorado, defendida na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, revelando como o PSDB manejou os três poderes para transformar São Paulo em uma capitania sob seu comando.
A pesquisa mostra que no reduto tucano a prioridade máxima é a remuneração de uma categoria profissional da área da Justiça. Em contrapartida o caos econômico e social existente é praticamente ignorado. O Judiciário tem tratamento privilegiado. A totalidade de leis aprovadas nas categorias “aumento de vencimentos com diversas vantagens” e “orçamento” beneficiou o Judiciário. Juízes e desembargadores passaram a ter direito ao pagamento de “auxílio-alimentação e creche, dentre outras despesas”, revela a pesquisa. 
O MP paulista figura no topo dos salários da área jurídica – 46 mil reais em 2015, sem contar 13º salário e férias. O teto constitucional é de 33,7 mil reais, mas só 3,1% da categoria não o ultrapassa. Já entre os Juízes paulistas o salário médio é de 45,9 mil reais, indica a pesquisa. Enquanto isso, apesar de ser o mais rico do País, São Paulo, paga aos professores metade dos salários dos docentes do Piauí (??), a terceira unidade mais pobre  da  Federação, e o quinto  pior salário de policial militar no início de carreira.
Este tratamento privilegiado, assevera Luciana Cardoso, explica as constantes decisões do Poder Judiciário favoráveis  ao governo paulista. Igualmente revela que integrantes do MP são onipresentes na máquina jurídico-politica. Os sete últimos secretários de Segurança vieram dessa instituição e promotores de Justiça foram escolhidos para ocupar também as secretarias da Educação, da Justiça e da Defesa da Cidadania.
Outro dado significativo da pesquisa demonstra como a construção tucana paulista funciona também para manter a impunidade dos homicídios  cometidos por policiais, os excessos de repressão às manifestações de  rua, as violações dos direitos  humanos nos presídios  e o afastamento  de juízes progressistas  a pedido de  colegas.
Geraldo Alckmin é um verdadeiro coronel pós-moderno. Na Assembleia Legislativa paulista ele consegue a aprovação de 91% dos projetos que apresenta. Seu partido comanda as pautas onde, via de regra, estão proposições de interesse das instituições jurídicas, notadamente as que  envolvem aumentos  de remuneração.
Ao mesmo tempo os tucanos paulistas continuam a salvo da justiça, apesar dos inúmeros escândalos, como cita a revista CartaCapital: mega escândalo do trensalão, do superfaturamento da merenda escolar, do rodoanel, da cratera do metrô no bairro de Pinheiros, na capital paulista, e da privatização dos pedágios (!!). Seria mais um exemplo de um Judiciário partidarizado?
As posturas pouco republicanas dos tucanos influenciam, como se nota, iniciativas que permeiam o governo federal. O obscurantismo político, social e econômico do PSDB paulista se esparrama como uma verdadeira praga. Deu apoio à Aécio Neves e ao golpe de  2016. Agora defende uma velha e surrada tese: o Parlamentarismo, que em dois plebiscitos nunca chegou à marca de 25% dos votos. Seria o medo de que Lula (ou alguém indicado por ele) vença a eleição de 2018?

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