Bolsonaro e o ridículo político

Postado por: José Ernani Almeida

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O deputado Jair Bolsonaro é conhecido por nunca ter uma lei aprovada, entre as quais se inclui o projeto da castração química de estupradores, ele que, contraditoriamente, é apologista deste crime, ao dizer à sua colega Maria do Rosário que não a estupraria “porque é muito ruim, porque é muito feia”.

Ainda esta semana, o STJ, manteve, por unanimidade, decisão que condenou o deputado a pagar 10 mil reais de indenização à deputada, por danos morais, além de publicar retratação pública  em jornal de grande circulação e  em suas páginas nas redes sociais.

Bolsonaro é recordista em representações no Conselho de Ética da Câmara. Com quatro processos, ele é o único que alcançou esses números desde que o conselho foi instalado em 2001. A lista de acusações contra  o pré-candidato à  Presidência (!!!), é igualmente  extensa na  Corregedoria da  Câmara. Ele já chamou Lula de “homossexual”, Dilma de “especialista em assalto e  furto” e chegou a dizer  que  FHC “deveria ter sido fuzilado durante a ditadura”.

Bolsonaro, integrante do PSC, um partido evangélico, agora anuncia que irá para o PEN (Partido Ecológico da  Nação), para concorrer à  Presidência e, até estuda  mudar o nome do partido,  após a filiação, para “Patriota” (??). Esta é a sétima vez que o deputado-militar muda de sigla partidária.

Mesmo com toda a sua bizarrice Bolsonaro garante um lugar no cenário político nacional. É convidado para fazer palestras em todo o país e vem ganhando capital em votos, aparecendo como líder de massa exógena.

 Me arrisco a dizer que  no afã de  defenestrar o PT e assumir o poder na marra, após quatro  derrotas eleitorais seguidas, o  PSDB, empurrou  parte da sociedade  para a extrema-direita, ajudou a satanizar a esquerda e a política. Nesse contexto cresceu Bolsonaro que é de uma postura inquietante, na qual a maldade e a má-fé parecem claras.

Destituído de sanidade moral, ética e senso histórico aparece para muitos como a solução para o país (!!??) É de se perguntar: o que leva pessoas que se dizem sérias e cultas, a apoiar  um político homofóbico, racista e fascista ?

Há quem considere a palavra fascista um exagero. Mas qual adjetivo merece quem faz apologia à tortura, ao assassinado e ao estupro?

Atualmente, personagens bizarros ocupam um espaço cada vez maior no cenário político nacional. Estas figuras aumentam seu capital político justamente na falta de seriedade e em razão dos absurdos que falam. Em um país de eleitores idiotizados, posturas ridículas de verdadeiros bufões, rendem votos. Há uma adesão a “direita fashion”, tão burra quanto cafona. Seus adeptos se sentem o máximo, sem suspeitar da própria ignorância.

Bolsonaro não está sozinho na bufonaria política verde-amarela. Prefeitos  de  cidades  brasileiras, nos últimos tempos, têm  entregado a chave  da cidade a Deus. João Dória, prefeito de São Paulo, eleito no mais escancarado populismo, herdeiro de famílias aristocráticas paulistas, vestiu-se de gari em uma performance pública, mas não sem antes mandar desinfetar  o espaço no qual funcionou como ator. Uau!

Um deputado, que em seu passado foi um conhecido cantor sertanejo com um apelo bastante sensual, tornou-se pastor e propôs a lei  para proibir a masturbação. Um grupo de vereadores de Campinas, SP, em 2015, propôs uma moção de repúdio  contra a filósofa  francesa  Simone de  Beauvoir, cuja obra foi matéria  de algumas questões  do ENEM, num total desconhecimento da obra  da filósofa falecida nos anos 1980.É a  turma da  Escola  Sem Partido.

Aqui em Passo Fundo, recentemente, o vereador mais votado nas últimas eleições, anunciou nas redes sociais com estardalhaço, a conversão ao Cristianismo de um ex-líder sindical, antigo comunista-marxista, por interseção do  Espírito Santo, posando  com o  liberal-cristão-novo em seu gabinete (!!!).

Em seu ótimo livro, Ridículo Politico, do qual retirei boa parte deste artigo, a filósofa  Márcia Tiburi, afirma: “quem pratica  a astúcia do ridículo não teme  parecer porque ganha algo com seu modo de aparecer. Ganha mais do que um palhaço profissional, certamente. (...) O ridículo não é da ordem da verdade do aparecer, tampouco da oposição  entre ser e aparecer. Ele não é a verdade ou a mentira do aparecer, mas o aparecer da mentira que se faz verdade. E da  verdade que se  faz mentira”.

 

Nestes tempos negros, quem percebe o jogo do ridículo e aprende a manipulá-lo, pode se tornar de  vereador até  presidente da República.

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