Lucro sobre o material humano

Postado por: Israel Kujawa

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* Texto escrito por Artur Zorzi Kujawa

Em uma análise abrangente, o capitalismo teve seu início na Idade Média, a partir das Cruzadas, com a reinserção da moeda como mecanismo de troca. Prontamente, pessoas de todas as classes sociais aspiraram acumular o maior número possível de riquezas, criando, progressivamente, mais meios de fazê-lo. Logo após, a ganância humana se mostrou infindável de modo que o que gerasse lucro era negociado, inclusive seres humano. Deu-se início ao tráfico de pessoas.

No século XIX, Karl Marx alertava sobre o “fetiche de mercadoria”, que se traduz pelo bem-estar em portar algo, fazendo dessa forma, com que os objetos percam seu valor original. Então, ao encontro do que o sociólogo defendia, é possível perceber em comerciais e campanhas de marketing abusivas, a tentativa de convencer o ouvinte que existe apenas dois meios de encontrar a felicidade: comprar e acumular. Essas propagandas deveriam ser extintas, uma vez que não haja nelas restrição de como garantir patrimônio, e, assim, coagem-se indivíduos a desrespeitar os direitos humanos em nome da renda.

O jornal americano The New York Times, em 2012, publicou uma reportagem acusando a empresa Apple de produzir utilizando mão de obra análoga a escrava, de trabalhadores originários da China. Infelizmente, todavia, nada pragmático foi encaminhado e os celulares da companhia seguem no mercado, Ali continuam porque são comprados, e assim seguem pois, mesmo os consumidores tomando conhecimento das denúncias e investigações, acreditam no discurso, falho, do não pertencimento ao grupo culpado. Isto é, “apenas um celular não fará diferença”, entretanto, a soma total dos que pensam assim, incentiva indiretamente o trabalho forçado e o tráfico humano que o acompanha.

Mas cabe, também ao Governo, a missão de limitar a entrada de produtos ligados ao tráfico de pessoas. Além de disseminar as escrituras dos direitos humanos. Assim, inevitavelmente, haverá ao menos a reflexão sobre o assunto, e a população em geral, observará o modelo industrial e suas sombras. A mobilização popular, sendo assim, é a mais eficaz arma contra tamanho desrespeito a vida.


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