Os assessores e o roubo legal da lei

Postado por: Dilerman Zanchet

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É desnecessário, mas inicio este artigo afirmando que o roubo, em qualquer circunstância, é ilegal.

Porém, em se tratando de Brasil, quase tudo que é ilegal é permitido, principalmente se os meios justificarem os fins.

Não vou usar o espaço de hoje – embora seja um assunto palpitante – para falar do ovo em Bolsonaro, da agressão à professora, da agressão da professora, dos que defendem o comunismo e usam Nike ou IPhone. Alguns já fizeram isso.

Vou me reportar ao assunto que foi notícia no Brasil, saído novamente da Assembleia Legislativa gaúcha e que ganhou contornos de falcatrua, na medida em que funcionários recebem dos cofres públicos, sem trabalhar.

Giovani Grizotti, jornalista da RBS e da Rede Globo, um dos melhores repórteres investigativos do país, ouviu um funcionário da Assembleia que, durante a semana, vendia imóveis em uma cidade da Serra gaúcha.

Outra situação foi da vice-presidente do PTD nacional, viajou para fora do país com diárias pagas pelo legislativo gaúcho, para o Maranhão e para outros locais, sem tirar nada do bolso. Mas sim dos cofres do carcomido Estado gaúcho.

Em um trecho da reportagem, publicada em Zero Hora de 24.08.2017 (versão digital http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/politica/noticia/2017/08/servidores-da-assembleia-recebem-salario-sem-dar-expediente-9878518.html), consta: “Com salário pago pelo contribuinte de R$ 30.471,11, Miguelina também recebeu diária de R$ 409,62 da Assembleia em uma viagem a Brasília, no dia 16 de setembro de 2015, onde discursou no ato de filiação a Ciro Gomes, no PDT. Ela também costuma participar de encontros em países como Paraguai e Colômbia, nesses casos, com autorização da mesa diretora da Assembleia. 

Em janeiro deste ano, esteve por cinco dias no Congresso Internacional Socialista na República Dominicana. Em 2015, se ausentou do trabalho, por 15 dias, para encontro socialista no mesmo país caribenho e em Angola.

Por telefone, Miguelina chegou a afirmar que costuma descontar das férias os dias em que se ausenta da Assembleia. Mas reconheceu que isso não ocorre no caso das viagens realizadas para atividades do partido. Ela afirmou ainda não lembrar ter retirado diárias para esse tipo de deslocamento. E alegou que as atividades das quais participa são de interesse público.

— Normalmente, quando vou fazer um evento desses, ou eu faço uma capacitação, ou faço uma palestra. E eu acho que isso é de interesse público, sim. Tu ir fazer uma fala sem receber nada, sem ganhar nenhum centavo por isso... — defendeu-se”.

No dia seguinte à publicação, o jornalista Giovani Grizotti esteve na Assembleia e entrevistou o deputado Gilmar Sossella, do PDT, que disse ser, a mulher trabalhista, uma funcionária assídua. Está sempre no trabalho. Haham!

Por sua vez, o presidente do Legislativo Estadual, deputado Edegar Pretto disse que tomará as medidas cabíveis. Alguém aí duvida do que será feito?

Já o deputado corregedor Marlon Santos afirmou que não será o contribuinte que pagará esta conta. Huhum!

Para o caso do assessor corretor de imóveis, o seu chefe, deputado Álvaro Boesio, disse que o CC cumpre horário integral sim. Mesmo que a reportagem tenha encontrado ele em Farroupilha, onde reside - no horário em que deveria estar trabalhando pelo povo no legislativo gaúcho - negociando imóveis. Ora, nobre deputado: Enganar, enganar-se e tentar enganar é pior que aceitar com resignação.

Não precisamos ir longe para que se saiba de assessores de deputados que ganham sem prestar serviços. A própria Câmara dos Deputados mantém este vício, patrocinando bons salários a assessores legislativos que nunca estão e tampouco vão à Brasília. Aqui na região temos alguns destes assessores. Uma vergonha o contribuinte arcar com este desperdício.

Em Passo Fundo, na legislação anterior, um assessor de vereador era visto frequentemente em Porto Alegre, em horário que deveria estar na Câmara, fazendo manifestações político-partidárias. Nunca se soube do desconto do dia, do final de semana do mesmo.

Receber um salário, seja de R$ 5 mil, ou de quase 30 mil reais mensais, viajar pelo Brasil e pelo mundo por conta de boas diárias e para tratar assuntos de interesse do partido à qual é filiado, é justo? É legal? É moral? É ético?

E trabalhar em uma imobiliária (ao que a reportagem indicou, foi demitido), há mais de 100 km de seu local de trabalho, recebendo mensalmente em sua conta bancária os proventos do legislativo gaúcho, é legal? É ético? É moral?

Pode-se chamar isso de “roubo legal da lei”.

Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo!

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