A praça do Marechal

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Em 1943, um ano antes do meu nascimento, a nossa praça central, erigida em homenagem ao marechal Floriano Vieira Peixoto, nosso segundo Presidente do Brasil, já tinha sido em parte inaugurada, e entregue a população passo-fundense pelo Prefeito Victor Graeff, com aqueles sinuosos caminhos, cobertos de originais e minúsculos paralelepípedos, bordados com arabescos, muitos deles, nossos conhecidos nas aulas de desenho do Colégio Conceição.

Passada por diversas modificações no decorrer desse tempo, pois os bancos vazados em cimento, e os em granito, estampando propaganda dos nossos principais estabelecimentos, como a Farmácia Drogabir, J. P. Kileing & Cia., Auto Esporte, Casa Jandyr e Lojas Floriani, foram trocados
por outros e outros, muitas vezes, não tão funcionais e resistentes como aqueles.

O transformador, do tempo da Usina do Capinguí, e do Prefeito Armando Araújo Annes, tombou nos fins dos anos 60 depois da famosa nevasca de 1965, juntamente com os postes de iluminação, de ferro, importados a peso de ouro da Inglaterra no século passado, e que ainda enfeitam, aqui e ali, residências e sítios particulares de amigos de alcaides, os quais foram substituídos, por outros mais leves e funcionais, acompanhando a modernidade, pois verdade seja dita, Passo Fundo, muito pouco se importa com velharia.

Arrisco a dizer, que ainda tem alguém muito especial, que ama os entes passados da nossa Praça, acima de tudo, pois tem o acurado cuidado de ficar só para ele, com um poste de ferro ornamental; com os múltiplos bancos que existiram; e até com uma águia que a enfeitava, como pano de fundo da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida.

O Projeto, a verba, inclusive do bolsinho do Prefeito, estão todos em dia, segundo a Senhora Secretária da STSG, para dar-se início a recuperação do patrimônio público tombado, estando apenas faltando, as danadas das pedrinhas, de mármore e de basalto, que segundo ela só existem fora do município, e digo eu, no canteiro defronte ao antigo Paço Municipal, e que poderiam serem reaproveitadas.

Registre-se também, com louvor, que quando a ideia chegou ao Conselho Municipal de Cultura, este só conseguiu dizer: Amém! Foi tudo previamente aprovado, sem delongas. Ao bem da verdade como testemunha ocular da história, devo dizer, que o mentor dessa feliz ideia do tombamento, e da recuperação “in totum” da nossa Praça da Cuia, partiu do senhor Ernesto Zanette, em colóquio com escritores e amigos do Projeto Passo Fundo Cultural, o qual encaminhou o pedido ao ilustre vereador Paulo Neckel, cuja diligência e acuidade surtiu efeito imediato, e claro, foi plenamente aprovado e até subvencionado pelo senhor prefeito. Os não, e os passo-fundenses como eu, aplaudem, assinam em baixo, e darão vivas e loas, quando recebermos revitalizada a nossa mundialmente conhecida Praça da Catedral. Porém, para que ela, depois permaneça bela e intocável, se faz necessário desde já, destinar outro espaço, outro local, para que, Ambulantes e outros quejandos, nossos artesãos, a Feira do Livro e a parada de ônibus, e quem quer que seja, não venha novamente a macular o nosso solo sagrado da Praça, que nãoé dos comerciantes, é do povo.

E para que não digam que só atirei flores, e alguns pedriscos, em breve, talvez este ano ainda, será lançado um Livro, inédito, fora de série, com fotos, nunca dantes vistas pelos olhos desta geração, que registram o passado da nossa Praça Marechal Floriano, coroando uma vida inteira de um pesquisador e colecionador “sui generis”, que entrará para o rol dos imortais de Passo Fundo, que soube preservar a nossa história através da indiscutível fotografia, que não precisa da escrita para narrar um fato.

Viva a nossa praça! Vida longa para ela!

 

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