Coisas da vida – continuação

Postado por: Júlio César de Medeiro

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João chamava e sacudia desesperadamente Maria, que teimava em não acordar. “Mulher! Acorda! Maria? Maria??”

Lentamente Maria abre os olhos e se depara com João, envolto em uma nuvem de fumaça, lhe sacudindo e gritando. “Maria, levanta rápido, temos que sair! A casa tá pegando fogo!”

Tão rápido quanto conseguiu, Maria seguiu João para fora da casa, mesmo de pijamas, fugindo da fumaça escura e densa que saía da garagem e invadia todos os cômodos. Em seguida os Bombeiros chegaram, chamados pelos vizinhos que também haviam percebido o perigo.

Arrombada a garagem, uma bola de fogo e fumaça negra ganhou a rua e logo foi dissipada pelos Bombeiros. Estava pegando fogo a Kombi Morena.

Alguns minutos depois, tudo estava terminado. Alguma fumaça ainda saía do monte de ferro retorcido que jazia, cercado de muitos escombros e restos derretidos, no meio da garagem. Mas não havia mais fogo. Nem kombi. Totalmente destruída pelo fogo, Morena estava reduzida a nada. Mais de 30 anos de uma vida em comum. Quantas histórias e quilômetros, confidências e planos haviam sido feitos a bordo daquela kombi e, agora, nada mais existia. Um vazio enorme preencheu o peito de João. Maria chorava baixinho, amparada por uma vizinha.

Os Bombeiros disseram que o fogo havia iniciado no veículo e se espalhado para os objetos mais próximos, mas como a garagem era bem fechada e moravam relativamente perto do quartel, não se alastrara para outros pontos da casa.

Ao fim do dia, após agradecer a todos os vizinhos e aos Bombeiros, voltaram para casa. Um silêncio pesaroso permanecia no ar, misturado com o cheiro da fumaça impregnado nas paredes, nas cortinas, nos móveis. Fechar a garagem foi especialmente dolorido para João. A visão da kombi, consumida pelo fogo, trazia um turbilhão de pensamentos: “Mas o que aconteceu? E aquele cheiro de queimado ontem a noite? Fiz alguma coisa errada? Porque não pegava? Coloquei fogo na Morena? E se pegasse fogo na casa toda? O que vou fazer agora?”

Apenas uma certeza pairava. Nada mais seria igual. Tudo mudaria. Nunca mais seriam os mesmos João e Maria.

Continua na próxima semana.

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