Na crise, ser ousado

Postado por: Ari Antônio dos Reis

Compartilhe

Tem se constatado que nos últimos anos, devido a profundidade das transformações que acontecem, que não estamos mais em uma época de mudança mais em uma mudança de época. As transformações são mais profundas e tem implicações diretas na vida humana, nas relações institucionais, nas formas de conceber o ser e o estar no mundo. Alguns estudiosos afirmam que estamos passando por uma crise profunda, a crise da civilização.  No nosso caso ela tem as cores verde e amarela. Tem um rosto brasileiro.

Experimentamos nos últimos anos avanços em vários âmbitos da vida social, especialmente quanto aos direitos individuais e coletivos. Não foram frutos do acaso, mas resultado da confluência de uma série de fatores políticos, sociais e econômicos, sobretudo da Constituição aprovada em 1988, chamada de constituição cidadã.  

A questão que se coloca é como manter tais conquistas visto que na crise da civilização brasileira, tais conquistas passam a ser relativizadas a partir do argumento que ameaçam a estabilidade econômica.  O contingente de mais de 13 milhões de desempregados é um fator desta crise, talvez o mais pernicioso, porque ameaça um dos pilares da existência humana, as condições mínimas de sobrevivência física, garantidas pelo acesso a renda.

 Como no Brasil os direitos dos pobres são considerados supérfluos por boa parte da classe política e também dos economistas a preocupação aumenta.  O argumento da crise tem sido usado como argumento para o corte de alguns direitos. Os tempos de uma pretensa melhoria nas condições de vida da população, mediados pelo pleno emprego, mas sem tocar na estrutura desigual e injusta, hoje são tratados como uma aventura populista da qual o pais ainda hoje se ressente. Aquilo não deveria ter acontecido. Outro argumento posto é que há muitos direitos e poucos deveres.

Na situação de crise há de se ter cuidado com atalhos aparentemente promissores. A ousadia está em olhar mais além e isto envolve todos os setores da sociedade. Talvez neste tempo a ousadia maior seria a coragem de sentar e dialogar pelo bem dos brasileiros.

Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito