Independência ou Morte!

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Há exatos 195 anos, o então príncipe regente do Brasil Dom Pedro I, apoiado por um grupo de comerciantes e proprietários de terras, pertencentes à elite brasileira da época, rebelou-se contra as ordens da Coroa Portuguesa, que tentava recolonizar o Brasil, iniciando ali nas margens do Rio Ipiranga, a independência do Brasil, com o histórico Grito do Ipiranga: “Independência ou Morte!” Desde então, o Brasil que passou por várias experiências de governos, do império à república, nunca deixou de sofrer a influência das elites políticas e econômicas, nas diretrizes de governo do Brasil.

A história do Brasil nos demonstra o quanto o povo brasileiro, sempre foi explorado e preterido, no que diz respeito à implementação de políticas públicas. Desde a época do Brasil Colônia, uma pequena parcela da população, pertencente à elite burguesa, teve acesso a informação, educação e conhecimento de modo geral. Aquela velha frase nunca foi tão bem entendida: “Aos amigos do Rei os benefícios da lei, aos inimigos os rigores”. A maioria da população sempre esteve à margem do alcance das políticas públicas, dos serviços públicos que por direito, deveriam estar à disposição do povo. O Brasil passou por várias formas de governo: Colônia; Império e República, porém, em todos os momentos, a presença e influência das elites sempre foram muito latentes nos governos, fazendo valer a vontade de uma minoria dominante, em detrimento da maioria do povo brasileiro, que sofreu e sofre pela falta de presença do Estado nas garantias de seus direitos fundamentais. O grito de independência foi dado em 07 de setembro de 1.822, após anos e anos de exploração das riquezas do Brasil, além das altíssimas taxas de impostos sobre os produtos, que levaram a uma situação insuportável ao povo brasileiro. Qualquer semelhança com os dias atuais, não é mera coincidência, pois a sobrecarga de impostos no Brasil, historicamente é uma das maiores do Planeta.

A situação de hoje é agravada pela falta de escrúpulos dos governantes e dos empresários. Durante a semana da Pátria, novas revelações e delações, deixaram o povo atônito, com a proporção gigantesca dos esquemas de corrupção. Desta vez foram os irmãos Joesley e Wesley Batista (Grupo JBS), que protagonizaram a turbulência no cenário político brasileiro, com as delações homologadas junto a Procuradoria Geral da República, e que hoje, encontram-se sob suspeitas, passíveis de serem anuladas pelo procurador geral Rodrigo Janot. Outro fato que abalou a opinião pública foram às malas de dinheiro encontradas em um apartamento localizado em área nobre da capital baiana Salvador, pela Polícia Federal. Ao todo foram encontrados mais de 51 milhões de reais. O dinheiro, segundo informações que serão investigadas, pertence ao ex-ministro Gedel Vieira Lima, já o apartamento, pertence ao empresário e amigo de Gedel, Sílvio Silveira. O Brasil, país do futebol e amante do esporte, revelou esquemas de corrupção até mesmo nas Olimpíadas 2.016, realizadas na “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro, onde o então governador do estado, Sr. Sérgio Cabral, ainda encontra-se preso, por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha (durante as investigações, até fardos de dinheiro jogados ao mar foram encontrados). O procurador geral da república também denunciou ao STF, por organização criminosa, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff; os ex-ministros Antônio Palocci, Guido Mantega, Paulo Bernardo e Edinho Silva; a senadora Gleisi Hoffman; e o ex-tesoreiro do PT João Vacari Neto. No dia de ontem, o depoimento do ex-ministro Palocci, em delação premiada, caiu como uma bomba em toda a cúpula do PT, PMDB e PP, atingindo principalmente o ex-presidente Lula.  

Todos estes acontecimentos em plena semana da Pátria nos deixam revoltados com o cinismo e sarcasmo de muitos dos envolvidos. A proporção e abrangência dos esquemas de corrupção são alarmantes. O poder de decisão e de interferência dos grandes empresários nos governos é algo imoral. A relação promíscua com membros do executivo, legislativo e até mesmo do judiciário, nos causa náusea e revolta. O povo brasileiro é patriota por natureza, exige que se faça justiça, que se punam os responsáveis por tantos atos ilícitos, que estão envergonhando nosso País.

“Não vale nada um povo que não sabe defender a honra da sua Pátria.” Friedrich Schiller

 

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