Capitalismo: o único sistema a garantir mobilidade social e inédito incremento de renda (a primeira lição)

Postado por: Marcel Van Hattem

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Apresentarei neste e nos próximos textos para o blog breves relatos sobre cada uma das seis lições de Ludwig von Mises sobre políticas econômicas, uma grande inspiração para mim e para todos que identificam no liberalismo a fórmula a ser seguida também aqui no Brasil. Recomendo a todos que façam a leitura na íntegra do livro “As Seis Lições”.

A primeira lição de Mises trata sobre o CAPITALISMO, tema deste primeiro texto.

De acordo com Mises, o capitalismo – nome dado pelo seu maior crítico, Karl Marx - é o sistema econômico que permitiu, pela primeira vez na história, a possibilidade de que pobres se tornassem ricos. Também, pela via inversa, não mantém assegurada a riqueza para quem nasceu em berço de ouro. Nascido sem pompas, o capitalismo foi a solução encontrada pelos chamados “párias” ingleses para conseguirem alguma fonte de renda durante o período feudal, quando a produção industrial e agrícola na Inglaterra era suficiente para atender a demanda dos ricos, apenas.

Os párias eram cidadãos que não encontravam emprego nem no campo, nem nas indústrias. Pessoas que viviam sem qualquer perspectiva e já formavam uma parcela significativa da população. Morriam de fome, viviam sob condições realmente subumanas. Para que o terrível panorama se alterasse, essas pessoas passaram a se organizar em grupos para formar pequenos negócios. Uma grande inovação. Juntos produziam artigos de baixa complexidade a preços baixos, crescentemente disponíveis a qualquer cidadão, de qualquer classe social. Este foi o princípio da produção em massa, para satisfazer a necessidade de todos.

Com o capitalismo, Mises considera que os produtores e os consumidores são, na verdade, os mesmos. Apenas quem possui alguma atividade remunerada está apto a consumir, e, quando consomem, estão levando para casa produtos que eles mesmos confeccionaram em suas atividades laborais. Por isso, é um grande erro apontar o empresário bem sucedido como detentor de poderes sem limites. Ele precisa agradar ao seu maior chefe: o consumidor. E o consumidor, em sua grande maioria, é exatamente o produtor dos bens de consumo.

O capitalismo, portanto, não é a fonte dos problemas que temos hoje. E os problemas enfrentados pelas classes baixas nos países capitalistas são ainda incomparáveis aos problemas que eram enfrentados antes da disseminação deste sistema ou aos problemas enfrentados por quem viveu sob totalitarismos: nazismo, fascismo, comunismo ou mesmo socialismo. Os críticos do capitalismo costumam apontar a acumulação de capital como um fator negativo, incorrendo em um erro absurdo. É exatamente pela capacidade de acumular capital que surge a possibilidade de investimento, de criação de empregos, de aumento da demanda de matérias-primas. Claro que acumular capital e investir não é sinônimo de vida mansa. Sempre haverá a possibilidade de o mercado rechaçar a iniciativa empresarial, por diversos fatores. O investimento poderá significar bonança como poderá, também, ser um grande fracasso.

Quanto à questão salarial dos trabalhadores, alvo de fortes críticas do socialista Karl Marx ao capitalismo, Mises considera que é possível que não ganhassem o salário ideal, mas, levando em consideração que não ganhavam coisa alguma até então, deve-se exaltar que houve grande avanço. Também, com o desenvolvimento do mercado, políticas salariais como a de Henry Ford, visto com estranheza por pagar salários considerados altos demais, passam a ser viáveis. Para atrair os melhores trabalhadores, tanto do setor automotivo como de outras áreas de atuação, de outras regiões e até de outros países, Ford precisava oferecer um salário atrativo. Estabelece-se a competição pelos melhores trabalhadores, entre diversos setores, quando há livre mercado.

Marx, porém, pregava que seria impossível qualquer melhoria de condição de vida aos trabalhadores no sistema capitalista. Um discurso que até hoje é repetido por praticamente todos os sindicalistas e simpatizantes da esquerda. Esse discurso não se confirma, uma vez que os países capitalistas são os que mais se desenvolveram, mais garantiram oportunidades para que trabalhadores passassem à condição de empresários, ou mesmo de viver de maneira confortável como empregados. É o sistema capitalista que permitiu que as famílias mais miseráveis deixassem de passar fome e que os ricos fossem obrigados a trabalhar para não perder o que possuíam.

Se houver um Estado de Direito e um governo que propicie o básico – sobretudo Segurança Pública – o sistema capitalista é o único, por mais que possua falhas, a garantir o mínimo de bem-estar individual e mobilidade social

O próximo texto será sobre a segunda lição de Mises: o SOCIALISMO. 

 

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