Socialismo: como as medidas totalitárias de controle estatal tiram a liberdade da população (a segunda lição)

Postado por: Marcel Van Hattem

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Neste segundo texto sobre as seis lições do economista Ludwig Von Mises, um dos pensadores que mais soube explicar os benefícios que uma economia de livre mercado traz para a sociedade, farei alguns comentários sobre a segunda lição de Mises: o Socialismo.

Para Mises, apenas quando há liberdade econômica é possível que haja outras liberdades. Neste sistema, o de livre mercado propiciado pelo capitalismo, o cidadão pode tomar a decisão, por exemplo, da carreira que pretende seguir e como integrará o conjunto da sociedade. Já a liberdade prometida no socialismo não pode ser alcançada, uma vez que as condições naturais de liberdade, defendida por socialistas, simplesmente não existem e o socialismo e sequer garante liberdade na sociedade. Para Mises, socialistas “não se dão conta de que, num sistema desprovido de mercado, em que o governo determina tudo, todas as liberdades são ilusórias, ainda que postas em forma de lei e inscritas na constituição”.

Como exemplo, Mises cita a liberdade de imprensa. Mesmo que dê liberdade para que se se escreva o que se bem entenda, se o governo detiver o controle de todas as máquinas impressoras poderá determinar o que deve e o que não deve ser impresso.  Aí, então, a liberdade de imprensa desaparece, e o mesmo que ocorre com todas as demais liberdades.

Num sistema socialista, os cidadãos são determinados a cumprir tarefas onde quer que o governo considere adequado. Quem é considerado ameaça pode receber a determinação de que se mude para outra região. O governo está em condições de exigir e ao cidadão cabe apenas obedecer.

Ainda assim, para Mises, nem o sistema de livre mercado garante a liberdade perfeita. Mas a liberdade perfeita, no sentido metafísico, não existe. O capitalismo é o sistema que melhor pode garantir a liberdade possível, a liberdade na sociedade. “Liberdade na sociedade significa que um homem depende tanto dos demais como estes dependem dele.  A sociedade, quando regida pela economia de mercado, pelas condições da economia livre apresenta uma situação em que todos prestam serviços aos seus concidadãos e são, em contrapartida, por eles servidos”. Não há, pois, “guerra de classes”, mas colaboração entre as pessoas.

Um dos mantras da tese socialista é que o sistema capitalista cria chefões que não dependem do resto da sociedade. Uma grande falácia, afinal, se grandes empresários em uma economia livre deixam de prestar serviços de qualidade, ou prestam o serviço a um preço alto, a sua empresa perderá consumidores para a concorrência. Quem verdadeiramente manda no sistema econômico são os consumidores, os verdadeiros chefões. E o consumidor não está livre de cometer erros, embora seja supremo em sua decisão. Pode, sim, segundo Mises, adquirir produtos e serviços que não deveriam, mas não é tarefa estatal impedi-los, como uma autoridade paternal. Liberdade significa também liberdade para errar.

Embora o sistema capitalista seja, de fato, mal usado por alguns, isso não significa que o socialismo seja um sistema melhor. Não é, em absoluto! Karl Marx, o mais famoso crítico do sistema capitalista e escritor do Manifesto Comunista,ou panfleto, segundo Mises, apontou que há um conflito inconciliável entre as classes. Marx, porém, só pôde demonstrar argumentos tomados das condições da sociedade pré-capitalista, quando, de fato, havia divisão de classes.

Em uma sociedade capitalista, contudo, as diferenças entre os cidadãos não são como as que se verificam numa sociedade de status vigente antes da afirmação do capitalismo, por haver a chamada "mobilidade social". Para confirmar que existe mobilidade social, basta checar a diferença da qualidade de vida dos cidadãos de hoje em comparação com a de seus antepassados. Alguns terão melhorado sua posição na sociedade, enquanto outros são menos prestigiados. Todos, porém, aproveitam das melhores condições de vida propiciadas pelas evoluções tecnológicas e mercadológicas que os países capitalistas experimentaram.

No sistema socialista é forçada a toda a sociedade participação em um regime militar, transposto ao sistema de produção.  “Marx falou de ‘exércitos industriais’ e Lenin impôs a organização de tudo - o correio, as manufaturas e os demais ramos industriais - segundo o modelo do exército", escreve Mises. Dessa forma, o conhecimento que não é compreendido pelos ditadores socialistas são rejeitados, e não há grandes avanços nas condições de vida da população. Ninguém, por mais inteligente que seja, pode dominar todos os assuntos.

As limitações dos ditadores, somadas ao controle estatal e outas excrescências do socialismo, culminam no que talvez seja o maior problema verificado no socialismo: a determinação de preços, a intervenção do valor das mercadorias. Vemos o resultado dessas políticas nas nações mais pobres e fechadas do mundo, como é o caso da Coréia do Norte: lá, o comunismo ditatorial marxista até hoje só legou fome, miséria e morte para a população, resultado da intervenção estatal em absolutamente tudo.

A Venezuela, com o bolivarianismo de Hugo Chávez, intensificado por Nicolás Maduro, segue o mesmo caminho. Mas  esse é um assunto que trataremos no próximo texto, quando farei um resumo sobre a terceira lição de Mises: o INTERVENCIONISMO.

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