Cultura e tradição

Postado por: Neuro Zambam

Compartilhe

A avaliação do passado, por qualquer método, não pode ofuscar o rumo dos acontecimentos, supervalorizar personagens, desconsiderar contradições ou preservar a todo custo valores e costumes como se a história e seus feitos fossem eternos.

Nesta quarta-feira, feriado no Rio Grande do Sul, uma parte expressiva da população se dirigirá para as ruas e seus centros de eventos para ressaltar um fato marcante e já bastante estudado por historiadores, sociólogos, cientistas e outros com reconhecida formação e trajetórias.

“Um ponto de vista é sempre um ponto de vista”. Essa é uma afirmação simples, mas recheada de sentido. Quem tiver a paciência de entendê-la quanto a sua riqueza simbólica ou ao seu ensinamento verá que as posições unilaterais, seja de qualquer matriz, não encontram qualquer sentido, não contribuem para o engrandecimento das culturas ou para as necessárias mudanças da estrutura social ou, ainda, das concepções que justificam ou legitimam erros do passado e do presente.

Os costumes e as tradições têm sentido até o momento em que não mais representam qualquer significado e referência individual, comunitária, institucional ou social. Existem inúmeros exemplos no decorrer da história, que podem contribuir para o esclarecimento das nossas convicções sobre essa temática. Ouso sugerir a leitura do livro “Código de Honra” – Anthony Appiah, porque ensina o valor do reconhecimento e a necessidade de “baixar guarda”, quando um costume nada mais diz.

A destruição de uma cultura é um atentado contra as pessoas e o equilíbrio social, porque inibe e destrói o diálogo, o exercício da tolerância, a expressão das diferenças e a necessária solidariedade entre pessoas e povos. Quem suportaria conviver com pessoas iguais a si? Igualmente a ausência de espécies na natureza.

Quando o debate acalorado sobre o valor, a contribuição e os limites das culturas gera inimizade, fanatismo ou impaciência, não necessitamos de muita Inteligência para saber que já passou a hora de parar e o erro é claro, certo e evidente. De outra parte, o entendimento de que as culturas são bastante diferentes, assim como as visões divergentes sobre os fatos são algo corriqueiro, é possível entender o mandamento – “amai vossos inimigos”. Uma firmação demais exigente para quem não reconhece o óbvio e alimenta rancor e ódio (também em suas análises).

Participar ativamente das comemorações gauchescas é um direito e uma forma de integrar as preocupações e a esperança da nossa gente batalhadora. A opinião sensata, mesmo que discordante, é sinal de maturidade cidadã.  Por outro lado, o silêncio, mesmo que barulhento, pode ser uma forma de vitalidade cidadã e de percepção acurada. 

Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito