Odeio errar

Postado por: Jéssica Limberger

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Tem aqueles momentos que tiram a gente do sério, que fazem com que nos sintamos injustiçados, tristes e com raiva. Cada pessoa tem os seus momentos de desatino. Cada pessoa tem os seus erros e acertos.

Se você é daquelas pessoas que odeia errar, é provável que saiba do que estou falando. Somos cuidadosos com os detalhes, relemos o que escrevemos e verificamos se estamos fazendo as coisas da maneira certa, sem erros. Pois bem, esses dias errei e quero compartilhar esse momento com você. Minha vontade era de fugir, colocar minha cabeça dentro de um buraco, como se fosse um avestruz. Como não sou um avestruz, e sim uma pessoa, respirei fundo, admiti o erro e pedi desculpas. Simples assim.

De fato, a situação foi pontual: um erro da minha parte, uma desatenção que depois foi compreendida. Entretanto, sabe o que mais me impactou? Foi o pensamento que veio: “o que será que aquela pessoa pensou de mim?”. Na verdade, existem milhões de possibilidades, afinal, jamais saberei o que ela pensou a meu respeito. Foi então, que segui pensando no que de pior poderia acontecer e se eu conseguiria superar isso, mesmo o pior acontecendo. Fiquei aliviada, passou.

Por vezes, ficamos tão envolvidos em uma situação desagradável que parece que ela toma conta de nós, invade o nosso ser e tira o nosso sossego. Nesses momentos, talvez a gente esteja se criticando demais. Ao invés de julgarmos a nós mesmos, podemos descrever a situação tal como ela aconteceu. Por exemplo, ao invés de “eu errei e fui uma idiota em dizer aquilo para a fulana”, considere “eu disse à fulana que ela está comendo demais, ela deve ter se sentido chateada com a forma como falei, posso pedir desculpas e, na próxima vez, dizer que me preocupo com a saúde e o bem-estar dela”. Quanto mais descrevermos as situações sem emitir julgamentos, mais estaremos nos direcionando a ações práticas, ao invés de nos culpabilizarmos.

Quando nos sentirmos desconfortáveis, poderemos nos fazer algumas perguntas que nos auxiliem a compreendermos aquele momento: qual foi a situação? O que passou pela minha cabeça? O que senti? O que de pior pode acontecer? Se o pior acontecer, eu posso superar isso? O que de melhor pode acontecer? Entre o pior e o melhor que pode acontecer, qual a avaliação mais realista? Tais perguntas podem nos auxiliar a sair um pouco das atormentações e fazer com que avaliemos a situação com mais clareza, compreendendo as emoções que estamos sentindo.

É importante que você saiba que essas perguntas não foram inventadas por mim. Elas fazem parte da terapia cognitivo-comportamental, que é a abordagem que trabalho como psicóloga. Nessa terapia, compreendemos que a maneira como a pessoa pensa interfere na maneira como a pessoa sente e se comporta. Ou seja, não são os fatos em si que nos causam tanto sofrimento, mas a interpretação que fizemos deles. No meu caso, não foi apenas o meu erro que me incomodou, mas como eu percebi ele, fazendo uma “tempestade em copo d’água”, com receio do julgamento da outra pessoa.

À essa altura, imagino que você já deve ter percebido que o texto em si já está mais “leve” e tranquilo. A proposta é bem essa: quando refletimos sobre esses momentos difíceis, passamos a ver aquele problema ou desconforto de um jeito diferente, com mais clareza e consciência. Talvez possamos inclusive aprender com os erros, afinal, se não fosse um erro esse texto nem existiria.

Que tenhamos a sabedoria de reconhecer e assumir os nossos erros. Que possamos perceber que os nossos erros fazem parte da nossa vida e que não são eles que nos definem.

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