Visualizando o fim das prisões

Postado por: Israel Kujawa

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As notícias, sobre o tema da segurança recebem destaque pelo impacto cotidiano, individual e coletivo. Lamentavelmente, o tema permanece demasiadamente limitado ao campo da notícia, com restritos debates conceituais que incluam a amplitude do problema. Nas reflexões, é relevante analisar se, os argumentos em relação a propostas e práticas que possam minimizar este problema estão conectadas com a forma simples, simplista e patológica, da mera notícia ou com um método amplo, global que reconhece a complexidade que envolve os modos de sociabilidade humana.

Um pensador francês, que já esteve algumas vezes no Brasil, Loïc Wacquant, tem várias publicações que deveriam ser lidas e debatidas. Entre elas vale destacar os livros, “as prisões da miséria”, “punir os pobres: uma nova gestão da miséria nos Estados unidos” e artigos de impacto como, “a estigmatização territorial na idade da marginalidade avançada”. Entre as observações feitas por este pensador, estão   as contradições do Estado, na qual é possível perceber mais intervenções policiais e penitenciárias e menos intervenções econômicas e sociais, nas bases geradoras   da violência e da insegurança. 

As disputas pelo monopólio de matérias geradoras de lucro, como a madeira, o ouro, o ferro, o petróleo e a tecnologia foram, no decorrer da história de nossa civilização, as responsáveis pela destruição de pessoas. A hipermobilidade do capital, que depende de matéria prima para obter lucros, se organiza e interfere no funcionamento das instituições estatais, para assegurar um estoques de reservas, no qual se incluem os sem renda, os sem moradia e os sem-terra.  Um entendimento adequado da insegurança, com aumento da violência e do número de pessoas assassinadas pelo mercado e pelo estado, em países como a Venezuela e o Brasil, deve incluir as disputas vinculadas com o monopólio de matérias primas, especialmente, o petróleo, a terra e a água.

O fim das prisões é possível, para isto a matéria geradora de lucro, não deve ser o aumento da pessoas excluídas das relações de cidadania, na qual se encontram os sem renda legalizada, mas os investimentos em condições materiais e educacionais básicas para desenvolvimento de todos os seres humanos. Os recursos investidos no sistema prisional, devem ser redirecionados para o sistema educativo, que promova a capacitação das pessoas para o exercício da cidadania. No entanto, este entendimento inclui uma reconfiguração nas relações entre o ser humano e o capital.

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