Intervencionismo: A mesma receita para o fracasso do mercado e a consequente fome para a população (a terceira lição) – Parte 1

Postado por: Marcel Van Hattem

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Nesta sequência de artigos sobre as seis lições de Ludvig von Mises, escrevo sobre a terceira lição do economista austríaco: o INTERVENCIONISMO.

Mises inicia sua elucidação citando uma frase: “O melhor governo é o que menos governa”. Depois, explica que não é uma caracterização adequada, porque considera que a um bom governo compete fazer tudo que um governo deve fazer: proteger as pessoas contra a violência, contra fraudes, contra inimigos externos. Essas são as atribuições do governo quando há livre economia de mercado, diferentemente de quando o sistema adotado é o socialismo. Nesse caso, nada está fora da esfera de jurisdição governamental.

Em 1959, quando Mises proferiu as palestras que levaram as compilações das suas seis lições, em Buenos Aires, na Argentina, ele considerava que já não havia economia de mercado, mas sim “economia mista”, quando o governo é proprietário e gestor de empresas. Apesar disso, Mises não considerava que estivesse sendo instalado um pequeno socialismo, já que as empresas controladas pelo governo também estavam subordinados à supremacia do consumidor. O principal fator negativo, para Mises, da participação do governo em empresas, é que o resultado dessas empresas, via de regra, é um déficit.

A questão é que quando um empresário vê sua empresa operando em déficit, ele normalmente não possui margem para seguir atuando no mercado sem alterar este panorama. Já o governo pode seguir operando a empresa mesmo que os resultados não sejam lucrativos. Basta que os contribuintes paguem impostos mais elevados, que tolere bancar o prejuízo. Dessa forma o governo cria as condições para financiar o déficit e agradar a todos os seus integrantes, a todos os membros do partido, que lucram com o funcionamento daquela empresa que não se sustentaria se operasse com as condições privadas.

O intervencionismo acontece quando o governo não se restringe apenas a preservar a ordem. O termo surge da interferência do governo no mercado. “O intervencionismo significa que o governo não somente fracassa em proteger o funcionamento harmonioso da economia de mercado, como também interfere em vários fenômenos de mercado: interfere nos preços, nos padrões salariais, nas taxas de juro e de lucro”, escreveu Mises.

Atuando dessa forma, o governo acaba forçando os homens de negócios a agir de maneira diferente da que agiriam caso não houvesse interferência governamental. Um exemplo bastante claro do poder destrutivo desse fenômeno ocorre quando o governo experimenta controlar os preços. Para ilustrar sua ideia, Mises cita dois exemplos que apresentarei na próxima semana, em um segundo artigo sobre a terceira lição.

 

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