Prática da caridade como humanização!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Ontem celebramos, dentro do calendário litúrgico, a memória de São Vicente de Paulo. São Vicente, no seu tempo de vida, se destacou na Igreja por duas preocupações: a boa formação do clero e atenção para com os pobres e miseráveis. Gostaria de refletir este segundo aspecto, marcante na vida de São Vicente e que deveria ser marcante na vida de todos nós.

O ser humano, enquanto no mundo luta pela sua sobrevivência que implica em responder pela satisfação das suas necessidades básicas, aquilo que o mantém em condições dignas de vida. Esta é a luta de todos nós. O trabalho é uma forma de darmos conta dessa responsabilidade e também uma forma de interação social.

Muitos vão almejando o sonho de “vencer na vida”, ou seja, apresentar-se para a sociedade como um sujeito vencedor, que deu conta da sua sobrevivência trabalhando muito.  A pregação de boa parte da sociedade vai nessa direção. Você tem que ser um vencedor. Deve ganhar e não importa como. Todo tempo gasto se direciona ao ganhar mais, estruturar-se na vida.

O risco desta corrida é assumirmos uma proposta de vida centrada apenas em nossos objetivos pessoais, estes desconectados do mundo que nos cerca. Quantas pessoas assumiram este caminho e lá no final da vida se deram conta dos equívocos cometidos. Perderam-se e perderam a dimensão da relação, da convivência, da partilha. Viverem não para si mas para o capital. 

 Neste caminho não há tempo para a família, para o cultivo das amizades, para o lazer. Não há tempo para o cultivo da fé. Não há tempo para Deus. Alguma aventura religiosa que possa acontecer se estrutura na teologia da prosperidade, no fundamento religioso do enriquecimento financeiro. Falar em caridade, ajuda, partilha está fora de cogitação. Quem precisa de caridade é fracassado, derrotado. Não foi competente para estar no mundo e sobreviver.  

São Vicente e seus seguidores revelam, pelas suas práticas, que é possível outro caminho. No socorro e atenção para com os empobrecidos está a realização pessoal. Está também o processo de humanização porque no encontro com o outro está a nossa humanidade. Encontramos o outro e a nós mesmos. 

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