Intervencionismo: A mesma receita para o fracasso do mercado e a consequente fome para a população (a terceira lição) – Parte 2

Postado por: Marcel Van Hattem

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Seguindo o artigo da semana passada, quando iniciei meu relato sobre a terceira lição de Mises, o INTERVENCIONISMO, cito dois exemplos apresentados pelo mais famoso economista liberal.

O primeiro é o do imperador romano Diocleciano, no século III, que decidiu enfraquecer o teor da liga metálica das moedas para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e aumentar o poder de compra da população. Com isso, com um decreto determinando que os preços não poderiam ser aumentados sob pena de morte aos infratores, pretendia garantir que não houvesse inflação e que os produtos fossem mais acessíveis.

O segundo exemplo dado por Mises, entre diversos que poderiam ser citados, aconteceu quinze séculos mais tarde, na Revolução Francesa. As impressoras já produziam dinheiro em papel, o que facilitou ainda mais a produção de mais dinheiro. Com os mesmo objetivos, a atuação de repressão para conter a subida dos preços também era a mesma: daí surgiu o famoso doutor J. I. Guillotin (1738-1814), o inventor da guilhotina, para se ter ideia. O sistema de matança inventado por ele era adotado contra quem não respeitasse os preços determinados pelo governo.

O efeito das iniciativas desastradas foram a desintegração do Império Romano e do sistema da divisão do trabalho no primeiro caso, e um retumbante fracasso no segundo caso. Por quê? Se antes da intervenção dos governos para produzir mais dinheiro e controlar os preços dos produtos era possível encontrar no mercado, a um preço alto, os produtos que se demandava, quando o governo começou a impor preços esses mesmo produtos deixaram de ser caros para se tornarem raros. O motivo disso é que há um aumento da demanda por parte dos consumidores, mas isso não traz qualquer benefício ao empresário que fornece os produtos demandados. O preço determinado pelo governo não paga o valor dispendido pelo empresário para fornecer o produto.

Com isso, o homem de negócios passa a atuar em outro segmento. Se o leite era o seu produto final, mas fora alvo de determinação de preço pelo governo, o produtor passará a vender suas vacas, a produzir queijo, enfim, se adaptará para que não sofra prejuízos. Aí, então, de nada adiantará aumentar a demanda do produto se a escassez faz o problema ser ainda maior do que antes, quando o produto era caro mas possível de ser adquirido.

E o pior de tudo é que o controle do preço de um produto acaba obrigando o governo, em seguida, a aumentar ainda mais suas determinações. Para evitar que o produtor de leite pare de produzir, o governo acaba controlando os preços de toda a sua cadeia de produção, na esperança de que o leite volte a dar lucro. O governo pergunta qual é o problema. O empresário responde que a ração da vaca é alta demais. Então o governo determina que a ração seja vendida a determinado preço. O que acontece? A ração deixa de ser rentável para o empresário que costumava vendê-la ao produtor do leite. Aí, então, falta ração no mercado. O governo recebe uma reclamação quanto ao salário dos funcionários, o que pesa demais no preço da produção? Controla-se, então os salários. O resultado final disso é um governo que interfere em todas as áreas. Um governo socialista.

No final das contas o que se verifica é que as intenções do governo de intervir para aumentar capacidade de compra acabaram sempre produzindo grandes desastres no mercado. Se antes tudo estava caro, mas as pessoas tinham ainda acesso aos bens mais básicos, depois da intervenção o que sobra para a população é a fome.

Infelizmente, mesmo com todos os mais variados exemplos de que o resultado de medidas intervencionistas é sempre catastrófico, ainda vemos governantes que impõem este sofrimento aos seus cidadãos. É o caso da Venezuela de Chávez e Maduro, onde a população passa horas na fila para conseguir o mínimo, ou nem isso. Não são raras as cenas de cidadãos venezuelanos revirando lixos. A inflação vai às alturas e o dinheiro não vale praticamente nada. Desesperada, a população foge para os países capitalistas, os lugares onde os líderes socialistas indicam que há opressão e a vida não é justa.

Aqui no Brasil não deixaremos que se esqueça de tantos exemplos históricos. Embora socialistas teimem em dizer que os ensinamentos de Marx foram deturpados sempre que colocados em prática, basta um simples olhar para causa e efeito das medidas defendidas pelo maior crítico do capitalismo para constatarmos que os escritos marxistas não passam de uma peça de ficção.

O próximo texto será sobre a quarta lição de Mises: a INFLAÇÃO.

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