Lojistas e Centro de Tradições Gaúchas

Postado por: Odilon Garcez Ayres

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 Em 1967, como Secretário Executivo do Serviço de Proteção ao Crédito de Passo Fundo, fui participar de Seminário e da Convenção Nacional do Comércio Lojista em Porto Alegre, evento que reuniu mais de setecentos participantes de todo Brasil.

Regulamentos, teses, moções e proposições de todos os gêneros e tipos varejistas foram apresentados, discutidos e aprovados, nesse incipiente movimento Lojista que se iniciou nessa década, destacando-se a criação do pioneiro SPC da Capital gaúcha, que serviu de base para o restante do país.

Uma das atrações turísticas daquele tempo era e é como hoje, uma visita à Serra Gaúcha, especificamente à Caxias do Sul, a Pérola das Colônias, e que vinha se firmando como grande produtor de uvas e vinhos do Brasil.

Mais de vinte ônibus transportaram os convencionais até a Serra, recebidos com alegria e fanfarra na praça central e visita à Igreja de São Pelegrino.

Depois de uma visita à cantina da Aurora, nos levaram até um CTG, o Rincão da Lealdade, o qual, no meu imaginário, era como o Lalau Miranda ou o Querência da Saudade.

A surpresa foi geral para mim, o Hexsel, o Deliggianis, Battisti e o Bacaltchuk. Logo na chegada, pois o velho galpão, todo recuperado, já abrigava um Museu Gaúcho, tendo como destaque, as “caróças” italianas, e uma autêntica e bem conservada “diligência”, igualzinha às dos faroestes americanos.

O Centro de Tradições Gaúchas Rincão da Lealdade, o novo, já era todo de alvenaria, apto para bailes e churrascos para mais de 200 pessoas acomodadas. Par e passo, sentamos e antes do espeto corrido ser servido. O apresentador avisou que os garçons não tinham título do Senac, eram guascas da comunidade: professores, dentistas, advogados, lojistas e associados do CTG.

Depois do churrasco de Patrão e outros acompanhamentos, vinho, sobremesa de pinhão cozido e laranja in natura, foi anunciada uma apresentação folclórica.

No exíguo espaço que restava, fiquei duvidando, e na expectativa, elevou-se do chão a dois metros de altura, um espaçoso tablado, onde peões e prendas executaram nossas danças com maestria ao som de uma Todeschini do gaiteiro gaúcho.

Como dizemos até hoje: “Me caiu os butiá dos bolso!”.

O status desse CTG logo em seguida saiu na Revista Turística do Rio Grande do Sul, tecendo loas a sua magnitude, suas realizações e corpo associativo.

Conversei com os meus botões e fiquei vendo que em Passo Fundo, estávamos muito longe dos “tió, sá com bolaça”, e apanhando de pelego.

Ufanávamo-nos de termos cinco CTGs, quando Caxias já tinha mais de vinte. Hoje, se não me engano, são 94 ao todo, enquanto nós permanecemos no mesmo e ainda perdemos um, o CTG Getúlio Vargas.

O conhecimento e o laçaço serviram de base e estímulo mais adiante, ajudados pelo Clube de Diretores Lojistas de Passo Fundo, para que as ideias e eventos promovendo o turismo em Passo Fundo, começassem a ganhar força com a realização em 1968 do 3º Seminário Estadual dos SPCs do Rio Grande do Sul e, em 1973, da 7ª Convenção Estadual do Comércio Lojista, 1ª Convenção Feminina Lojista e 8º Seminário Estadual de SPCs.

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