A exposição do homem nu: Arte ou ato libidinoso?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

Compartilhe

O assunto que tomou conta das polêmicas nas redes sociais desta semana, foi a exposição de um homem nu, no Museu de Artes Modernas de São Paulo – MAM, onde um dos artista da exposição, se colocava completamente nu, deitado no chão, onde as pessoas interagiam com o artista, tocando-o. A polêmica se deu após a participação de uma criança (menina de 05 a 06 anos de idade), que acompanhada por sua mãe, foi filmada tocando no corpo do artista nu. As imagens, viralizaram as redes sociais, causando revolta e indignação. O caso está sendo considerado uma afronta à lei e a cultura brasileira, além de ser uma agressão à integridade física e moral de uma criança.

A performance chamada de “La Bête”, é uma leitura interpretativa da obra “Bicho”, de Lygia Clark, onde o artista ( Schwartz)  interage com o público em uma apresentação de nu artístico. Até aí tudo bem, se não fosse a participação de uma criança de 05 a 06 anos de idade (menina), que acompanhada de sua mãe, interage com o ator nu, tocando no corpo do mesmo e caminhando de mãos dadas com este. As cenas foram gravadas e compartilhadas nas redes sociais, causando polêmica e revolta em vários seguimentos sociais e de autoridades. Após várias denúncias e manifestações públicas, inclusive no Congresso Nacional, o Ministério Público de São Paulo, através do promotor público Eduardo Dias de Souza Ferreira, da 15ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude, instaurou um inquérito civil público para investigar o caso.

A legislação brasileira é extremamente protetiva com relação aos direitos das crianças, adolescentes ou vulneráveis, tipificando atos libidinosos de qualquer natureza, que venham a violar ou ameaçar a integridade física, psicológica ou moral de criança ou adolescente. A proteção integral de crianças e adolescentes em seus estágios de desenvolvimento, é uma garantia constitucional (art. 227 da CF/88). O Código Penal Brasileiro, também tipifica os crimes sexuais contra vulneráveis (arts. 217-A, 218, 218-A e 218-B do CP). O grande avanço da proteção à criança e ao adolescente se deu com a Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1.990, que criou o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, o qual trata em vários artigos, da proibição a participação de crianças e adolescentes, em cenas de sexo explícito ou pornográficas (art. 240 do ECA).

O caso em questão ganhou contornos partidários e ideológicos, com manifestações favoráveis e contrárias de ambos os lados. Novamente estamos vendo o país dividido entre “nós e eles”, direita e esquerda... O fato é que não estamos diante de uma questão partidária, mas sim, de uma questão legal, onde os direitos de uma criança estão sendo violados, com o agravante do consentimento de sua progenitora. Muitas das manifestações favoráveis a exposição artística do homem nu, argumentam que estamos diante de uma agressão a liberdade de expressão, da exposição democrática da arte. Já as manifestações contrárias, pregam o princípio da moralidade, da proteção aos direitos da criança, do adolescente e da família, com a batuta da legislação brasileira, que em tese, tipifica criminalmente o ato em questão.

 A lição que este caso nos trás, é a de que a sociedade brasileira ainda se mantem com princípios, garantidora de direitos básicos, onde a cultura da família, dos princípios morais, culturais e legais, quando violados, são rechaçados com veemência pela ampla maioria. O povo brasileiro precisa estar atento diante destes casos, que mascarados por argumentos liberais, democráticos, socialistas e etc, agridem o que há de mais valioso e vital em nossa sociedade, a família.

“Toda a doutrina social que visa destruir a família é má, e para mais inaplicável. Quando se decompõe uma sociedade, o que se acha como resíduo final não é o indivíduo mas sim a família”. Hugo, Victor

Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito