Cinquenta anos sem Che Guevara

Postado por: José Ernani Almeida

Compartilhe

“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”. (Ernesto Che Guevara)

O passado é uma dimensão permanente da consciência humana, um componente inevitável das instituições, valores e outros padrões da sociedade humana. Ele nos lega, por exemplo, mitos, lendas, ídolos, ícones, pois eles são a tradução dos anseios, esperanças, sonhos e identidade cultural e, ao mesmo tempo, reforçam e ajudam a materializar esses modelos de pensar e agir.

Muitos, pelo que representaram, permanecem no imaginário de várias gerações, como verdadeiro referencial. É o caso de Ernesto Che Guevara, cujos 50 anos de morte, estão sendo lembrados nesse 9 de outubro. Guevara foi ícone da geração dos anos 60 e 70. A geração que caminhando contra o vento sem lenço e sem documento enfrentou a ditadura militar; que queria ter voz ativa para no seu destino mandar e, foi em frente, caminhando e cantando e seguindo a canção, que dizia: “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

Inquieto, sonhador, motoqueiro, Guevara, que era argentino, ajudou Fidel Castro a tirar o ditador Fulgencio Batista do poder cubano em 1959, se transformando em uma verdadeira lenda e símbolo de gerações de jovens que queriam um mundo mais justo. Teve muitos erros e muitos acertos.

Guevara foi um idealista. Tinha uma meta, um projeto e pagou caro por isto. Dizia que os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira. Foi ingênuo. Acreditou em mentiras ou ilusões. Em plena Guerra Fria, foi vitima da disputa entre China e Rússia, gigantes comunistas da época e, assim, foi vítima da utopia.

O jornalista Flávio Tavares, com muita propriedade, diz que “Che foi um aventureiro por ter vivido a aventura maior de entregar a própria vida. A soma disso faz dele um revolucionário que se rebela contra um mundo que não distingue o justo do injusto”.

A figura de Guevara ainda hoje é vista em camisetas vestidas por jovens que se identificam com a turma dos anos 60/70, e admiram o guerrilheiro que defendeu a justiça social, mais equilíbrio econômico entre as pessoas e entre os povos.

Para o filósofo Orteta Y Gasset, “as gerações nascem uma das outras”, sugerindo a existência de um processo compulsório de transmissão de heranças culturais. Creio ser sempre preferível uma camiseta a uma farda – o que muitos querem hoje. Até porque, como disse Guevara, “a farda modela o corpo e  atrofia a mente”.

Guevara, segundo Flávio Tavares, em seu  novo livro, morreu três vezes: “primeiro ao não poder  levar adiante a revolução do ‘homem novo’ numa ilha pequena, pobre e monocultora. Enxotado de Cuba, foi ao Congo  em busca da  utopia e saiu por pressão dos soviéticos, que viam  nele  um  adepto do socialismo chinês.

 Chegou à Bolívia às pressas, guiado por informações falsas da direção comunista boliviana, fiel a Moscou. Fidel não o matou, mas o sacrificou, o enviou para o patíbulo para assegurar o apoio dos russos”. Por ser  um sonhador, pagou com a vida.

Nestes tempos pós-modernos, do culto do fragmentário e do transitório; de censura à mostras de  arte, de  intolerância, de  racismo, homofobia e misoginia acentuados; de patrulhamento ideológico radical, de Escola  Sem Partido, como disse Ernesto Che Guevara “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás ”.

 Por sua extraordinária trajetória, Che Guevara foi qualificado por Jean Paul Sartre como “o mais completo ser humano da nossa época”.

Leia Também William II Elo passado-presente-futuro Sujeito descansado Maneiras de usar o floral nesse verão 2018