Rock in Rio Food!

Postado por: Deniz Anziliero

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A partir de hoje, às quintas-feiras, o professor Deniz Anziliero, do Curso de Medicina Veterinária da IMED, passará a publicar seu artigo semanal no Portal rdplanalto.com.

Além do sucesso do evento em si, o Rock in Rio desta edição gerou uma polêmica interessante e com proporções virtuais opostas nas ultimas semanas. Durante o evento, já na primeira noite do festival a “conhecida Chef” Roberta Sudbrack apreensão de alimentos de decidiu (ou foi convidada) a encerrar sua participação no setor de alimentação do evento após agentes da vigilância sanitária do município do Rio de janeiro apreenderem mais de 80 kg de queijo e outros 80 kg de linguiça fresca. A senhora Roberta, esbravejou nas redes sociais e em entrevistas para diferentes jornais de circulação nacional, que todos os produtos utilizados na sua banca, estavam dentro do prazo de validade e que haviam sido aprovados pela organização do evento. Até aqui, nada mais do que o esperado!

Em seu perfil no Instagram, a chef disse ainda: "A vigilância sanitária do Rio de Janeiro invadiu o meu estande no Rock in Rio com quase 15 pessoas e decretou que os queijos brasileiros, bem como a charcutaria brasileira DA MELHOR QUALIDADE, obtidos de seus fornecedores de longa data ( aproximadamente 20 anos), não foram considerados bons o suficientes para comercialização durante o Rock in Rio.

Ela ainda criticou duramente a ação dos fiscais da vigilância sanitária: "Todos os meus produtos foram inspecionados pelos órgãos sanitários dos seus Estados. O motivo para isso tudo? Faltava UM carimbo, apenas um selo, uma coisa qualquer!” Seguiu ainda: “Estou fechando a minha operação no Rock in Rio porque a minha ética, o meu profissionalismo e as minhas convicções não me permitem ver uma cena dessas".

Em seguida, já por conta dos especialistas da internet, não faltaram críticas a burocracia brasileira, ao processo de fiscalização de produtos de origem animal, a dificuldade de se empreender neste setor no País, nas fraudes, etc.... Vale lembrar, que todos os comentários citados acima, em certos contextos, não deixam de ser verdadeiros hoje no Brasil e sim, em alguns casos burocratizam os processos e o acesso ao mercado consumidor, principalmente ao pequeno produtor.

Entretanto, a lei está em vigor ha décadas e deve ser cumprida!   Neste caso específico, o argumento da “Chef” não se sustenta. Até porque, outros tantos empreendedores de grande, médio e pequeno porte presentes no evento, comercializaram seus produtos sem qualquer problema! Qual o segredo? Seguir as regras e priorizar a saúde da população!! Além do mais, o que dizer daqueles pequenos produtores, aquelas pertencentes a agricultura familiar, que por meio da dedicação e qualidade já conquistaram mercados no nível nacional por meio do selo SISBI?

Com relação ao Rock in Rio em específico, todos aqueles que seguiram a legislação vigente, é bem provável que tenham obtido sucesso e muito dinheiro no bolso com o evento!

Mas  porquê dessa repercussão toda? Em parte, por que a população não tem conhecimento da legislação sobre alimentos. Não que isso seja uma obrigação, contudo, estamos aqui para esclarecer! Afinal, o consumidor precisa saber a procedência do alimento que ele coloca na mesa da sua família e, quem comercializa, tem a obrigação de zelar pela saúde da população.
Sempre quando você compra um alimento seja de origem vegetal ou animal, ele possui um selo que tem por objetivo garantir que o produto é próprio para consumo. São muitos os selos (S.I.M;  S.I.P/S.I.E;  S.I.S.B.I, DIPO;  SIF).

O selo tem como objetivo, mostrar que o produtor se enquadrou nas normas de produção e segurança alimentar ao longo da sua cadeia produtiva, logo, ele atesta ao consumidor que o alimento a ser consumido é seguro.

Dependendo do selo obtido pelo produtor, o produto poderá ser comercializado apenas no município onde foi produzido, no estado ou em todo território nacional, inclusive exportado quando da obtenção do selo SIF. Quanto mais abrangência territorial o produtor buscar para comercializar seu produto, maior também serão as exigências impostas ao produto. Ou seja, o produto que sai de Pelotas e vai para Manaus, necessita de condições diferenciadas do produto que é comercializado somente em Passo Fundo –RS.

Como em todo lugar existe os espertalhões, mais uma vez você e eu, consumidores, temos o dever de denunciar qualquer suspeita! Nos últimos tempos, ficamos estarrecidos com a divulgação de escândalos envolvendo fraudes no leite, na carne  e em seus derivados, ainda que da presença dos “selos” de inspeção. Agora pergunto: o que podemos esperar daquele produto que sequer passou por uma orientação e ou pelos padrões mínimos de higiene e controle de doenças.

Sendo assim, fiquemos atentos e quando necessário, denunciemos!

 * Deniz Anziliero – Coordenador do Curso de Medicina Veterinária da IMED



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