Inflação: Por que devemos ter em mente que o governo não possui dinheiro infinito (a quarta lição)

Postado por: Marcel Van Hattem

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A quarta lição do economista Ludwig von Mises chama-se “A Inflação”. Neste capítulo, Mises explica como se dá o processo de inflação, quando o dinheiro passa a comprar menos. Logo no início do seu texto, Mises usa como exemplo uma comparação entre o preço da batata e do caviar: se quando vamos ao supermercado encontrássemos caviar com a facilidade que encontramos batatas, o caviar seria comprado por um preço mais baixo. A lógica se aplica também quando há uma maior oferta de dinheiro: se os cidadãos veem suas carteiras recheadas de dinheiro, passam a ter que usar mais dinheiro para comprar os produtos e a capacidade de compra desse dinheiro diminui.

Historicamente há comprovações de que a maior quantidade de moeda gera elevação de preços. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando foram descobertos metais preciosos na América e os europeus transportaram a riqueza para casa, no século XVI. Os preços aumentaram. Porém, se naquela época era extremamente difícil aumentar a moeda corrente em circulação, pela dificuldade de se encontrar fontes de metais preciosos, com a utilização de dinheiro em papel, cuja a impressão de uma nota de $1 ou de $1000 custaria o mesmo ao governo, é extremamente fácil aumentar a quantidade de dinheiro no mercado.

Mises constata um grande erro na análise dos porquês da inflação: muita gente prefere apontar a causa da inflação na elevação dos preços, não no aumento da quantidade de dinheiro. Imprimir mais dinheiro para aumentar o poder financeiro, seja de um governo, seja dos cidadãos, gera consequências nítidas. Mesmo que o dinheiro recém impresso seja usado para construir um hospital, o que beneficiaria a todos, a maneira correta para a realização da obra seria utilizando o dinheiro arrecadado dos impostos. Os cidadãos serão onerados, terão de reduzir seu consumo, seus investimentos, sua popança.

O governo, dessa forma, passa a comprar em substituição ao cidadão, mesmo que não use o dinheiro exatamente nos mesmos bens. Não ocorrerá, então, uma “revolução do preços”, já que o contribuinte foi forçado a pagar pela obra. E Mises vai mais a fundo em sua argumentação, dizendo que não faz diferença se o governo investe em hospitais, algo considerado bom, ou se usará o dinheiro do contribuinte para fins que o contribuinte não concorda. O mais importante é O MODO COMO o governo financia suas ações.

Mises escreve que se o governo “recorre a dinheiro recém-impresso, consequentemente, algumas pessoas começam a ter mais dinheiro, enquanto todas as demais continuam a ter o mesmo que antes.  Assim, as que receberam o dinheiro recém-impresso vão competir com aquelas que eram compradoras anteriormente.  E uma vez que não há maior número de mercadorias que antes, mas há mais dinheiro no mercado - e uma vez que há pessoas que podem agora comprar mais do que ontem - haverá uma demanda adicional para uma quantidade inalterada de bens.  Consequentemente, os preços tenderão a subir”.

A inflação é um mal que o brasileiro já viveu. E quem lembra daquela época anterior ao Plano Real, quando a inflação estava nas alturas, sabe muito bem como os preços variavam de maneira totalmente descontrolada, de um dia para o outro. Mesmo que, em números, o salário dos cidadãos pudesse ser alto, de nada servia ter muito dinheiro na mão quando os bens de consumo custavam uma enormidade. E no dia seguinte custariam ainda mais.

Semana que vem o texto será sobre a quinta lição de Mises: Investimento Externo.

 

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